31 de julho de 2025
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Irã desafia Trump e afirma que Estreito de Ormuz “jamais voltará a ser como era” para EUA e Israel

Ultimato do presidente americano termina nesta terça (7); Guarda Revolucionária diz estar pronta para “nova ordem” no Golfo Pérsico. Irã rejeita proposta de 15 pontos e exige compensação financeira

Por Redação
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Teerã diz que Israel e EUA não devem acessar estreito como antes - Foto: Agência de Notícias da republica Islâmica

Em meio a um novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou, neste domingo (5), que o Estreito de Ormuz “jamais voltará a ser como era, especialmente para os EUA e Israel”. A declaração foi publicada nas redes sociais e veio acompanhada de um aviso: a Guarda Revolucionária está “concluindo os preparativos operacionais para a nova ordem do Golfo Pérsico”.

O Irã pretende estabelecer novas regras para a passagem pelo estreito, em parceria com o Omã, sem interferência de potências estrangeiras. Desde o início do conflito entre os EUA e o Irã, o Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás do mundo – está fechado. Apenas navios autorizados por Teerã podem transitar.

No domingo (5), Trump ameaçou lançar “o inferno” sobre o Irã caso o país não permita a reabertura do estreito até terça-feira (7). O presidente americano já havia dito que quer destruir o Irã “enquanto nação” e levar o país de quase 90 milhões de habitantes “de volta à Idade da Pedra”.

Um documento com 15 pontos, apresentado por Trump como proposta para o fim da guerra, circula nos meios diplomáticos. As exigências incluem desde o fim do programa nuclear pacífico do Irã até o desmantelamento do seu programa balístico. Nesta segunda-feira (6), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rejeitou as propostas, classificando-as como “altamente excessivas, incomuns e ilógicas”.

O Irã, por sua vez, exige a compensação financeira pelos danos causados pelos ataques, saída definitiva das bases militares dos EUA da região e o fim definitivo da guerra, incluindo as frentes de combate no Líbano e na Faixa de Gaza.

O porta-voz do Exército iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou que é necessário levar o inimigo a um “arrependimento genuíno para evitar a repetição da guerra no futuro”. Segundo ele, o inimigo “falhou nesta fase da guerra em alcançar seus objetivos e foi derrotado”.

Em novo vídeo divulgado nesta segunda (6), o porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, Ibrahim Zulfiqari, anunciou a 98ª onda de ataques do Irã contra instalações ligadas a Israel e aos EUA no Oriente Médio. Foram alvejados um navio porta-contêineres e “locais estratégicos” em Tel Aviv, Haifa, Be’er Sheva e Bat Hafer, em Israel.

Zulfiqari advertiu que, se os ataques a alvos civis se repetirem, “a próxima fase de nossas operações ofensivas e retaliatórias será realizada com intensidade e abrangência muito maiores”.

O Irã confirmou o assassinato de mais um alto dirigente militar: o chefe da inteligência da Guarda Revolucionária, brigadeiro-general Seyed Majid Khademi, morto em um ataque aéreo israelense em Teerã. A informação foi divulgada pela agência de notícias iraniana Tasnim.