31 de julho de 2025
ABSURDO

Tenente-coronel indiciado por feminicídio de soldado da PM é transferido para a reserva e passará a receber proventos integrais

Geraldo Leite Rosa Neto, preso desde 18 de março, tem direito a remuneração proporcional de 58/60 do soldo, equivalente a aposentadoria na carreira militar

Por Redação
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Com salário suspenso após prisão, PM terá remuneração na reserva - Foto: Gisele Alves Santana/Instagram

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e por fraude processual, foi transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo. A medida, equivalente à aposentadoria na estrutura militar, foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (2) e já tem efeito.

Com a mudança, o oficial passará a receber proventos integrais, calculados com base na proporcionalidade do tempo de serviço. O texto do diário oficial menciona “proporcionalidade de 58/60” , o que equivale à remuneração praticamente integral de tenente-coronel.

O pagamento referente à remuneração na ativa está suspenso desde sua prisão, em 18 de março, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) .

Apesar da transferência para a reserva, a SSP afirmou que a medida não interfere na responsabilização penal ou disciplinar do militar. A pasta já autorizou a instauração de um conselho de justificação, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. O processo disciplinar continua válido mesmo após a transferência.

Questionada sobre a possibilidade de perda da remuneração previdenciária em caso de demissão, a SSP respondeu que “a interrupção dos vencimentos previdenciários depende de decisão judicial definitiva” .

inquérito policial militar que apura a morte da soldado Gisele está em fase final e será encaminhado ao Judiciário. O inquérito da Polícia Civil já foi concluído e enviado à Justiça, com pedido de prisão, já cumprido.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, na capital paulista. O tenente-coronel chamou socorro e reportou o caso como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita.

Laudos do Instituto Médico Legal (IML) confirmaram marcas de agressão incompatíveis com suicídio. A família da vítima contestou a versão desde o início.