31 de julho de 2025
cuidado

Pesquisa revela que mulheres são as principais cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil

Mapeamento do Instituto Autismos mostra que maioria das responsáveis está fora do mercado de trabalho; governo anuncia R$ 83 milhões para ampliar atendimento no SUS

Por Redação
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Mapeamento do Instituto Autismos mostra que maioria das responsáveis está fora do mercado de trabalho; governo anuncia R$ 83 milhões para ampliar atendimento no SUS - Foto: Reprodução

Uma pesquisa inédita encomendada pelo Instituto Autismos revelou que as mulheres são as principais cuidadoras de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O levantamento, que ouviu mais de 23 mil pessoas em todo o país, mostra que grande parte dessas mulheres não está inserida no mercado de trabalho, dedicando-se integralmente aos cuidados dos filhos ou familiares autistas.

“A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, adiantou a presidente do instituto, a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, em entrevista à Agência Brasil. Os dados detalhados serão divulgados oficialmente na próxima quinta-feira (9), uma semana após o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quinta (2).

A história da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, ilustra essa realidade. Moradora de Brasília, ela pediu demissão do trabalho para se dedicar ao filho João, de 18 anos, diagnosticado com autismo de leve a moderado aos 8 anos. “Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele, e o seu crescimento, ver onde ele já chegou hoje”, conta. Hoje, mãe e filho realizam juntos o sonho de cursar jornalismo na mesma faculdade.

Um dado positivo do levantamento é que a média da idade do diagnóstico tem se alinhado aos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade. “Quanto mais jovem for a pessoa diagnosticada, melhor será o caminho para os tratamentos e cuidados necessários para estímulo”, explica Ana Carolina.

No Brasil, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas. O diagnóstico precoce aumenta a possibilidade de as famílias buscarem direitos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ações de inclusão na educação, saúde e bem-estar.

O levantamento também aponta que as famílias gastam mais de R$ 1 mil por mês com terapias necessárias. “A maior parte tem usado planos de saúde para conseguir ter acesso às terapias”, afirma Ana Carolina. As famílias das regiões Norte e Nordeste utilizam mais a estrutura do sistema público de saúde do que as de outras regiões.

Governo anuncia investimento de R$ 83 milhões


Em resposta aos desafios do atendimento no sistema público, o governo federal emitiu nota garantindo a ampliação da assistência a pessoas com TEA com investimento de R$ 83 milhões. O Ministério da Saúde anunciou a habilitação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado.

“Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com TEA no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Anaiara enfrentou desafios adicionais após o divórcio do pai de João, mas reconstruiu a família. “Sou uma exceção. A maioria das mães que eu conheço continuam solteiras ou separadas. Os pais abandonaram, seja fisicamente e financeiramente, mas eu tive a sorte de encontrar um parceiro que assumiu a paternidade do João. Somos muito felizes”, conta.