31 de julho de 2025
POLÍCIA FEDERAL

Empresário é alvo da PF por suspeita de comprar e vazar dados da esposa de Moraes

Operação apura acesso ilegal a informações fiscais de autoridades; mandado de prisão e buscas foram autorizados pelo STF

Por Redação
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Empresário é alvo da PF por suspeita de comprar e vazar dados da esposa de Moraes - Foto: STF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), uma nova fase da Operação Exfil para investigar um esquema de acesso ilegal e vazamento de dados fiscais sigilosos. Entre os alvos está o empresário Marcelo Paes Fernendez Conde, de 65 anos, apontado como suspeito de adquirir informações da esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci.

Por determinação de Moraes, foram expedidos um mandado de prisão preventiva e seis de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, todos relacionados ao empresário.

As investigações indicam que dados fiscais protegidos de autoridades públicas — incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes da Procuradoria-Geral da República e familiares — teriam sido acessados sem autorização nos sistemas da Receita Federal do Brasil e posteriormente divulgados.

Segundo a apuração, houve uma série de acessos indevidos que resultaram no vazamento de informações sigilosas. Ao todo, dados de 1.819 contribuintes teriam sido consultados irregularmente, incluindo pessoas ligadas a ministros do STF, integrantes do Tribunal de Contas da União, parlamentares e empresários.

A Polícia Federal aponta que Marcelo Conde teria encomendado um conjunto de dados fiscais por meio do contador Washington Travassos de Azevedo, que já havia sido preso em uma fase anterior da operação. Depoimentos indicam que o empresário teria fornecido listas de CPFs e realizado pagamentos em dinheiro para obter as informações.

Na decisão que autorizou as medidas, Alexandre de Moraes destacou a necessidade de aprofundar a investigação para identificar outros possíveis envolvidos e mapear a extensão do esquema. A apreensão de dispositivos eletrônicos, segundo o ministro, é considerada essencial para rastrear comunicações e registros que possam comprovar a atuação dos investigados.

A Operação Exfil teve início em fevereiro, quando a PF cumpriu mandados contra servidores públicos e outros suspeitos em diferentes estados. A investigação aponta a existência de uma rede estruturada que envolveria agentes com acesso a sistemas oficiais, além de intermediários responsáveis pela obtenção e repasse dos dados.