31 de julho de 2025
RETROCESSO

Mortes causadas por policiais militares em serviço aumentam 35% no primeiro bimestre de 2026 em São Paulo

Dados do Ministério Público mostram que 103 pessoas foram mortas por PMs nos dois primeiros meses do ano, ante 76 no mesmo período de 2025

Por Redação
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Mortes causadas por PMs aumentaram 35% em todo o estado de São Paulo - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço no estado de São Paulo registrou um aumento de 35,5% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 103 vítimas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, contra 76 nos dois primeiros meses de 2025. Os dados foram reunidos pela Agência Brasil com base em relatório do Ministério Público de São Paulo (MPSP) .

As informações sobre mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP) são consolidadas pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) e repassadas pelas polícias Civil e Militar à promotoria, conforme determinação legal e resolução da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

O número de mortes cometidas por policiais militares em serviço teve uma trajetória de queda entre 2019 e 2022, durante o governo anterior, passando de 720 para 262 vítimas — redução de 63,6%. No entanto, a partir de 2023, com a posse do governador Tarcísio de Freitas, os registros voltaram a subir anualmente:

  • 2023: 357 mortes (aumento de 95 em relação a 2022)
  • 2024: 653 mortes (alta de 83%)
  • 2025: 703 mortes

Para o advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, o cenário representa um retrocesso. “Esse levantamento reforça a compreensão de que tivemos na gestão do atual governo de São Paulo uma escalada da violência policial, frustrando avanços no controle e redução da violência e letalidade das ações policiais nos governos anteriores”, afirmou.

Ariel Alves destacou que a violência policial não se traduz em mais segurança para a população, mas sim em um fator de risco. “Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos”, disse.

Ele também criticou a gestão estadual: “Durante toda a gestão, o governador e o [então] secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, se omitiram ou desdenharam diante das denúncias e casos de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia. O resultado só podia ser essa escalada de violência policial no estado.”

O advogado ressaltou que a violência policial atinge de forma desproporcional jovens pobres e negros das periferias. “A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio”, afirmou.