Comparação com Césio 137: O Boticário é críticada após comentário com humor nas redes sociais; entenda
Comentário da marca em rede social fez referência a tom azulado de suco associado ao material radioativo
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Uma interação do perfil oficial de O Boticário na rede social Threads gerou críticas e levou à manifestação da entidade que representa as vítimas do acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. O post foi apagado posteriormente e a empresa disse que investiga o caso.
O comentário foi feito em resposta a uma publicação de uma usuária sobre um suco de coloração azul da marca Tang, inspirada no universo do personagem Lilo & Stitch. “Quando ela for mãe ela amadurece’. Eu vendo uma edição do suco do Lilo Stitch e comprando pra ver se fica azul mesmo: E ficaaa kkkk”, dizia a publicação original. Em resposta, o perfil do O Boticário brincou: “Isso em Goiás é um crime kkk”.

A associação feita ao tom azulado do suco, semelhante ao brilho emitido pelo material radioativo no acidente, foi interpretada como inadequada por internautas. A reação nas redes sociais foi imediata. Usuários criticaram o teor da resposta, classificando-a como desrespeitosa. “De péssimo gosto hein? Como neta de irradiado que sofreu a vida inteira por causa do Césio não vejo graça nessa piada”, escreveu uma. Outro comentário pedia a exclusão da publicação: “O Boticário, não foi de bom tom. Apaga, Boti!!!!”.
Associação das vítimas repudia
Diante da repercussão, a Associação das Vítimas do Césio-137 divulgou uma nota de repúdio. No texto, assinado pelo presidente Marcelo Santos Neves, a entidade afirma que a publicação contém “comentários maldosos e discriminatórios” e ressalta que as vítimas ainda enfrentam preconceito décadas após o acidente.
A associação destaca que, após tudo o que foi vivido, não é justo conviver com esse tipo de situação, especialmente vindo de uma empresa de grande porte. O documento também reforça que “vidas humanas não são brinquedo e nem motivo de chacota” e pede que episódios semelhantes não se repitam.
“Espero que O Boticário procure conhecer melhor a história das vítimas antes de fazer qualquer tipo de comentário, seja ele maldoso, como foi, ou não. De toda forma, se trata de algo de muito mau gosto. Espero que comentários assim não voltem a acontecer, seja por parte da empresa ou de qualquer outra pessoa, pois vidas humanas não são brinquedo nem motivo de chacota. Vocês não têm noção do quanto é difícil transformar tragédia em justiça social”, afirma o pronunciamento.
Posicionamento da empresa
Em nota enviada ao Metrópoles, O Boticário informou que removeu o comentário no mesmo dia e iniciou uma apuração interna. A empresa declarou repudiar a publicação, classificando-a como incompatível com seus valores de respeito e humanidade.
“A marca pede sinceras desculpas à população goiana, às vítimas do acidente nuclear de 1987 e aos seus familiares.”
Acidente com Césio-137
O acidente com o Césio-137 ocorreu em setembro de 1987, após a violação de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada, em Goiânia. Catadores retiraram do equipamento uma cápsula com material altamente radioativo, que acabou sendo manipulada e compartilhada sem que houvesse conhecimento dos riscos. O episódio é considerado o maior acidente radiológico do mundo fora do ambiente de usinas nucleares. Centenas de pessoas foram contaminadas, e quatro morreram em decorrência direta da exposição à radiação.