Governo amplia cursinhos populares e anuncia Escola Nacional de Hip-Hop com investimento milionário
Rede de apoio ao Enem deve triplicar em 2026, enquanto nova iniciativa aposta na cultura hip-hop para engajar jovens nas escolas
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O governo federal anunciou nesta terça-feira (31) a ampliação da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), programa voltado ao apoio técnico e financeiro de iniciativas que preparam estudantes de baixa renda para o Enem. A previsão é que o número de cursinhos atendidos salte de 384 para 1,2 mil já em 2026.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, o investimento também será ampliado, passando de R$ 74,4 milhões em 2025 para R$ 290 milhões no próximo ano. O anúncio foi feito durante o evento “Universidade com a Cara do Povo Brasileiro”, realizado no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo.
Cultura como estratégia educacional
Durante o mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a portaria que cria a Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), iniciativa que pretende integrar elementos da cultura hip-hop ao ambiente escolar.
A proposta, coordenada pelo Ministério da Educação, terá investimento de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027. De acordo com Camilo Santana, a ideia é utilizar a cultura como ferramenta de engajamento juvenil e também como forma de fortalecer a aplicação da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.
Expansão da rede federal
Ainda durante o evento, Lula afirmou que o governo pretende ampliar significativamente a rede de Institutos Federais de Educação, passando de cerca de 140 unidades para 800 até o fim do ano.
O presidente defendeu o aumento dos investimentos no setor educacional como estratégia central para o desenvolvimento do país. Segundo ele, a educação deve ser tratada como prioridade orçamentária.
Programas e inclusão no ensino superior
O evento também marcou datas importantes de políticas educacionais no país, como os 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni) e os 14 anos da Lei de Cotas.
Dados do Ministério da Educação apontam que, apenas no primeiro semestre de 2026, o Prouni ofertou 594,5 mil bolsas em instituições privadas, com mais de 65% destinadas a estudantes pretos, pardos ou indígenas. Desde 2023, o programa acumula 2,3 milhões de bolsas concedidas.
Já a política de cotas resultou em cerca de 2 milhões de estudantes ingressando no ensino superior ao longo dos últimos anos, incluindo beneficiários do Sisu, Prouni e Fies. A legislação foi atualizada recentemente para incluir também estudantes quilombolas entre os contemplados.
O ato reuniu cerca de 15 mil pessoas, entre estudantes, representantes de movimentos sociais e autoridades, como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.