31 de julho de 2025
PESQUISA

Saúde mental de adolescentes em Alagoas preocupa: 19,8% sentem que a vida não vale a pena, mostra PeNSE

Dados do IBGE revelam que meninas são as mais afetadas; em Maceió, percentual chega a 34% entre estudantes com ideação de automutilação

Por Redação
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Quase 1 em cada 5 estudantes em Alagoas sente que a vida não vale a pena ser vivida - Foto: Freepik/Ilustração

Uma em cada cinco estudantes de 13 a 17 anos em Alagoas relatou que a vida não vale a pena ser vivida na maior parte do tempo ou sempre, nos 30 dias anteriores à pesquisa. O percentual de 19,8% supera as médias nacional (18,5%) e nordestina (19,2%). Entre as meninas, o índice mais que dobra: 26,5%, contra 13,0% entre os meninos.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , com recorte específico para Alagoas e Maceió.

Em Maceió, 19,9% dos escolares afirmaram que a vida não vale a pena — patamar próximo à média das capitais brasileiras (19,0%). Entre as meninas da capital, o percentual foi de 27,9% ; entre os meninos, 11,8%.

Outros indicadores de saúde mental também acendem alerta:

  • - 48,1% dos estudantes alagoanos se sentiram “muito preocupados com as coisas comuns do dia a dia” na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa (próximo ao nacional de 49,7%);
  • - 28,5% se sentiram tristes na maior parte do tempo ou sempre (mesmo patamar nacional);
  • - 39,8% estiveram irritados, nervosos ou mal-humorados (abaixo dos 42,9% do Brasil);
  • - 26,7% relataram que ninguém se preocupava com eles na maior parte do tempo ou sempre.

A PeNSE também investigou a vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. Em Alagoas, 30,6% dos escolares relataram esse pensamento — abaixo da média nacional (32,5%). Entre as meninas, o índice sobe para 40,6% ; entre os meninos, fica em 20,4%.

Em Maceió, o percentual foi ainda mais alto: 34,0% dos estudantes, acima da média das capitais brasileiras (33,5%).

Em todos os indicadores analisados, as meninas apresentaram percentuais significativamente superiores aos dos meninos — padrão observado tanto em Alagoas quanto em Maceió e no Brasil. Especialistas apontam que fatores como pressão estética, cobranças sociais e maior vulnerabilidade emocional podem explicar as diferenças.

Sobre a PeNSE

A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação e investiga fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes. Em Alagoas, a edição de 2024 contou com 161 escolas e cerca de 6.700 estudantes, abrangendo alunos de 13 a 17 anos do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª à 3ª série do ensino médio, em escolas públicas e privadas.

Onde buscar ajuda

Em caso de sofrimento emocional, a orientação é buscar apoio de profissionais de saúde, familiares ou serviços especializados. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site. Unidades de saúde e Centros de Atenção Psicossocial (Caps) também podem auxiliar.