31 de julho de 2025
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Prévia da inflação desacelera para 0,44% em março, mas alimentos seguem em alta

IPCA-15 fica abaixo do resultado de fevereiro e do mesmo mês de 2025; açaí, feijão e ovos puxaram alta no grupo de alimentação no domicílio

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A prévia da inflação oficial de março desacelerou em relação ao mês anterior, mas manteve pressão dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,44%, abaixo do 0,84% registrado em fevereiro e também inferior ao 0,64% apurado em março de 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o indicador acumula alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. O principal destaque de pressão inflacionária veio do grupo alimentação e bebidas, que registrou elevação média de 0,88%, impactando o índice geral em 0,19 ponto percentual (p.p.). Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio subiu 1,10% – um salto expressivo em comparação com a variação quase nula de fevereiro (0,09%). Já a alimentação fora do domicílio avançou 0,35%.

Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor estão o açaí (29,95%), o feijão-carioca (19,69%), o ovo de galinha (7,54%), o leite longa vida (4,46%) e as carnes (1,45%). Segundo o IBGE, as carnes tiveram impacto de 0,04 p.p. na inflação mensal, enquanto o leite respondeu por 0,03 p.p. Já o feijão e o açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p.

De todos os 377 subitens pesquisados, o que exerceu a maior pressão individual foi o preço das passagens aéreas, que subiram 5,94% no mês, impactando o índice em 0,05 p.p. No lado das quedas, os combustíveis apresentaram deflação de 0,03% na média, puxados pelo gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). O óleo diesel, por outro lado, registrou alta de 3,77%.

O comportamento dos combustíveis, especialmente os derivados de petróleo, tem sido monitorado com atenção devido aos desdobramentos da guerra no Irã, que afetam a cadeia global de petróleo. No Brasil, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel, e o governo adotou medidas para conter a escalada, como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível. O diesel, utilizado por ônibus, caminhões e tratores, é o derivado que mais sofre com a pressão internacional, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% do óleo que consome.

O IPCA-15 segue a mesma metodologia do IPCA, a inflação oficial que baliza a política de metas do governo – fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A diferença entre os dois índices está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Enquanto o IPCA-15 coleta dados em 11 localidades, o IPCA cheio abrange 16. A prévia tem como período de coleta de 13 de fevereiro a 17 de março. O IPCA completo de março será divulgado no dia 10 de abril.