31 de julho de 2025
BRASIL

Furto de vírus na Unicamp: amostras de H1N1 e H3N2 estavam entre material levado sem autorização

Pesquisadora foi presa em flagrante e responderá em liberdade; PF garante que não houve contaminação externa e que todas as amostras foram recuperadas

Por Redação
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Furto de vírus na Unicamp: PF diz que também investiga marido de pesquisadora e descarta risco à população - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

A investigação sobre o furto de vírus no Laboratório de Virologia da Unicamp revelou que entre as amostras levadas sem autorização estavam os subtipos H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A. O material biológico permaneceu desaparecido por 40 dias e foi encontrado pela Polícia Federal (PF) em outros laboratórios da universidade, incluindo a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) , a cerca de 350 metros do local de origem.

A professora doutora Soledad Palameta Miller, de 36 anos, foi presa em flagrante na última segunda-feira (23) e liberada em audiência de custódia. Ela responderá em liberdade por furto, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. O marido dela, Michael Edward Miller, médico veterinário e doutorando em Genética e Biologia Molecular na Unicamp, também é investigado pela PF.

De acordo com a Polícia Federal, não houve contaminação externa durante o período em que as amostras estiveram fora do local autorizado. Todas as amostras foram recuperadas e os vírus ficaram restritos ao ambiente da universidade.

O material foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sigilo sobre os tipos virais exatos envolvidos. Além dos subtipos do vírus Influenza, havia outros vírus — humanos e suínos — entre o material furtado.

A PF localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes dentro da Unicamp:

  • Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): caixas com amostras dentro de um freezer lacrado.
  • Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e abertos, além de material descartado próximo a um freezer.
  • Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): frascos descartados em uma lixeira.

A professora Soledad não tinha autorização de acesso a nenhum desses locais, mas conseguia entrar com o consentimento de outros pesquisadores.

O Laboratório de Virologia da Unicamp é uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3) , o nível mais alto existente no Brasil para estudos com agentes infecciosos. Esse tipo de laboratório exige protocolos rigorosos, pois os agentes podem causar doenças graves ou letais e se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento.

Os vírus H1N1 e H3N2 são classificados como agentes de nível 2 de biossegurança (risco moderado/brando para trabalhadores e ambiente), mas são estudados em laboratório NB-3 devido à infraestrutura necessária e ao risco potencial de disseminação.

Um laboratório de nível 4 (máximo), o primeiro do Brasil, está em construção em Campinas com previsão de conclusão em 2027.

Cronologia do caso

  • 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia.
  • 23 de março: PF cumpre mandados e interdita laboratórios da FEA; encontra parte do material e prende a pesquisadora em flagrante.
  • 24 de março: PF localiza o restante das amostras em outro laboratório do Instituto de Biologia; Justiça concede liberdade a Soledad.
  • 25 de março: PF confirma que marido da professora também é investigado.

A defesa da professora afirma que não há materialidade na acusação de furto e que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria na FEA.