Cigarro eletrônico já supera o tradicional entre adolescentes em Alagoas, aponta PeNSE 2024
Pesquisa do IBGE mostra que 24,7% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram dispositivos eletrônicos; uso recente é quatro vezes maior que o do cigarro comum
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O consumo de tabaco entre adolescentes em Alagoas passa por uma mudança significativa. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo IBGE, mostram que o cigarro eletrônico já supera o cigarro comum tanto na experimentação quanto no uso recente entre estudantes de 13 a 17 anos, consolidando-se como a principal forma de contato com a nicotina entre os jovens.
Em 2024, 24,7% dos escolares alagoanos afirmaram ter usado cigarro eletrônico alguma vez na vida — um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2019, o que representa um crescimento de cerca de 131% no período.
No mesmo intervalo, a proporção de estudantes que já haviam experimentado o cigarro tradicional recuou de 19,1% (2019) para 16,0% (2024) , indicando perda de espaço frente aos dispositivos eletrônicos (vaper, pod, e-cigarette), que passam a concentrar o primeiro contato com o tabaco.
A diferença se acentua quando se observa o uso nos 30 dias anteriores à pesquisa:
- - Cigarro eletrônico: 19,2% dos estudantes
- - Cigarro comum: 4,6%
O uso de dispositivos eletrônicos é mais de quatro vezes superior ao do cigarro tradicional entre os jovens alagoanos.
Na capital, o padrão se repete. Entre os estudantes de Maceió:
- - Experimentação: 23,8% já usaram cigarro eletrônico; 13,9% já fumaram cigarro comum.
- - Uso recente: 18,7% usaram dispositivos eletrônicos nos 30 dias anteriores; 3,7% fumaram cigarro comum no mesmo período.
A experimentação de cigarro eletrônico é maior entre estudantes da rede pública em Alagoas:
- - Rede pública: 25,4%
- - Rede privada: 21,3%
Na capital, a diferença é ainda mais expressiva: 27,9% na rede pública contra 17,5% na rede privada, indicando maior concentração do fenômeno entre alunos do ensino público.
Apesar das restrições legais, a compra direta em estabelecimentos comerciais (lojas, bares, padarias, bancas de jornal) foi o principal meio de obtenção de cigarro entre os estudantes alagoanos que fumaram nos 30 dias anteriores à pesquisa, citada por 39,9% deles.
Também se destacam formas indiretas de acesso:
- - pedir a outra pessoa para comprar: 21,5%
- - conseguir com alguém mais velho: 2,2%
- - compra pela internet: 0,4%
A exposição ao tabaco ocorre tanto no ambiente doméstico quanto no social:
- - 20,3% dos estudantes convivem com pais ou responsáveis fumantes
- - 20,8% estiveram expostos ao fumo dentro de casa nos sete dias anteriores à pesquisa
- - 23,4% relataram que algum amigo fumou em sua presença nos 30 dias anteriores — proporção superior à exposição familiar
Em Maceió, 22,3% dos adolescentes relataram exposição ao fumo entre amigos.
Os resultados de Alagoas acompanham uma tendência nacional. Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou redução no consumo de cigarro tradicional e aumento expressivo no uso de dispositivos eletrônicos entre adolescentes.
No país, a proporção de estudantes que já experimentaram cigarro eletrônico passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
Apesar de proibidos no Brasil, esses dispositivos seguem amplamente acessíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), eles contêm nicotina em altas concentrações e substâncias tóxicas, podendo causar dependência e danos ao sistema respiratório e cardiovascular, além de favorecer o início precoce do consumo de tabaco.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) é realizada pelo IBGE com apoio do Ministério da Saúde e investiga fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes brasileiros.
Em Alagoas, a edição de 2024 contou com a participação de 161 escolas (entre capital e interior) e cerca de 6.700 estudantes, abrangendo alunos de 13 a 17 anos do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª à 3ª série do ensino médio, em escolas públicas e privadas.