31 de julho de 2025
Governador sob suspeita

J&F pagou R$ 1 milhão a escritório de Ibaneis dias após contrato do PicPay com o GDF

Transferência ocorreu pouco depois de empresa do grupo fechar acordo com o governo do DF, e caso levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses

Por RAYANY FRANÇA
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Governador Ibanes Rocha - Foto: Joel Rodrigues/ Agência Brasília

O grupo J&F realizou o pagamento de R$ 1 milhão ao escritório de advocacia ligado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, poucos dias após o banco digital PicPay, que integra o conglomerado, firmar contrato com o Governo do Distrito Federal (GDF).

A operação ocorreu em 2025, em um intervalo considerado curto entre o acordo firmado pelo PicPay com o GDF e a transferência ao escritório associado ao governador. A proximidade temporal entre os dois fatos passou a ser alvo de questionamentos e levantou suspeitas sobre eventual conflito de interesses na relação entre o setor público e empresas privadas.

O J&F Investimentos é um dos maiores conglomerados empresariais do país e controla diversas empresas, incluindo o PicPay. O contrato firmado com o governo distrital faz parte da estratégia de ampliação de serviços financeiros no âmbito da administração pública local.

Apesar da ligação com o escritório, Ibaneis Rocha afirma estar formalmente afastado da sociedade desde que assumiu o cargo de governador, em 2019. A defesa sustenta que os valores recebidos são referentes a serviços advocatícios regulares e que não há irregularidade nas transações.

Ainda assim, a sequência dos acontecimentos, contrato com o governo seguido de pagamento ao escritório, gerou repercussão nos bastidores políticos e pode motivar pedidos de apuração por órgãos de controle. Especialistas apontam que, mesmo sem ilegalidade comprovada, situações desse tipo exigem transparência para evitar dúvidas sobre favorecimento indevido.

O caso surge em meio a um cenário de maior escrutínio sobre relações entre governos e empresas privadas, especialmente quando envolvem valores expressivos e contratos públicos. Até o momento, não há confirmação de investigação formal sobre o episódio, mas a situação deve seguir no radar político e jurídico.

GDF