31 de julho de 2025
ECONOMIA

Diesel no Brasil fica quase R$ 3 mais barato que no exterior e importadores temem desabastecimento

Preço interno está 74% abaixo do praticado internacional; Abicom afirma que abastecimento de março está garantido, mas cenário de guerra e falta de importação acende alerta para os próximos meses

Por Redação
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Cenário agrava riscos em relação ao suprimento da demanda nacional - Foto: Reprodução/Bigstock

O diesel vendido nos postos brasileiros abriu a semana com um preço 74% mais baixo do que o praticado no mercado internacional. A diferença equivale a uma defasagem de R$ 2,68 por litro, segundo levantamento diário da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), em parceria com a consultoria StoneX.

Isso significa que, enquanto o consumidor brasileiro paga menos pelo combustível, os importadores e as refinarias nacionais enfrentam um cenário de perdas e incertezas. A conta, que à primeira vista parece positiva para o bolso do cidadão, esconde riscos que podem comprometer o abastecimento no país.

Para quem abastece, a diferença de preços representa uma economia imediata. Isso ocorre porque o repasse das refinarias para as distribuidoras está mais baixo do que o valor do produto importado.

No entanto, quando a defasagem se mantém elevada por muito tempo, o negócio de importar combustível deixa de ser viável. Sem importação, o país corre o risco de enfrentar desabastecimento, já que o diesel é um dos produtos mais comprados pelo Brasil no mercado externo.

“A defasagem muito elevada aumenta substancialmente o risco de operações de importação, os negócios não são realizados. Não tendo importação realizada, se potencializa o risco de desabastecimento”, explica Sérgio Araujo, presidente-executivo da Abicom.

Segundo Araujo, as compras já realizadas garantem o abastecimento de diesel no país durante o mês de março. Porém, ele ressalta que ainda há “insegurança” para novas operações. Para abril, a previsão de volume de importação não é “muito grande”.

O cenário se agrava com o contexto internacional. A guerra prolongada no Oriente Médio eleva os preços do petróleo no mundo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, é uma rota estratégica que aumenta a tensão sobre o mercado.

“Isso tem a ver com a guerra porque [o conflito] provocou aumento de preços no mundo inteiro, e aqui a Petrobras praticando preços artificialmente baixos inibe novas importações”, afirma Araujo.

A Petrobras abandonou a política de paridade de preços internacionais, que antes repassava ao consumidor as oscilações do mercado externo. A estratégia atual busca evitar que a volatilidade global afete diretamente os preços no Brasil, mas tem sido criticada por prejudicar a competitividade do setor e desestimular a importação.

De acordo com fontes da empresa ouvidas pela agência Reuters, a estatal não considera um novo aumento no preço do diesel no curtíssimo prazo.

A Abicom afirma que segue monitorando o cenário junto aos seus associados. Embora março esteja seguro, os próximos meses dependem de uma reavaliação dos preços e da segurança para a realização de novas importações.

O alerta se acende justamente em um momento em que a demanda por diesel no Brasil segue alta e o país depende de combustíveis vindos de fora para equilibrar o mercado interno.