Assessor de deputado federal é preso com R$ 2,7 milhões em espécie no Recife e exonerado após caso vir à tona
Fernando José Palma Sampaio, que trabalhava no gabinete de Vinicius Carvalho (PL-SP), foi um dos quatro detidos pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro; parlamentar nega envolvimento
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Um assessor do deputado federal Vinicius Carvalho (PL-SP) foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (20) após sacar mais de R$ 2,7 milhões em espécie em uma agência bancária no centro do Recife. O caso gerou repercussão e levou à exoneração do servidor ainda no fim de semana.
Fernando José Palma Sampaio, que ocupava o cargo de Secretário Parlamentar no gabinete do deputado, recebia cerca de R$ 9,3 mil líquidos por mês, além de um bônus mensal de aproximadamente R$ 1,7 mil, conforme o painel da transparência da Câmara dos Deputados. Ele foi exonerado após a divulgação do caso.
Como aconteceu a operação da Polícia Federal
A PF monitorava o saque de R$ 2.733.000,00 em uma agência bancária no Recife. Segundo a corporação, o dinheiro foi sacado por um dos envolvidos e seria entregue a outras três pessoas, que haviam chegado à capital pernambucana pouco antes em um jato particular.
Os quatro homens foram abordados e conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, onde foram autuados em flagrante pelo crime de lavagem de dinheiro. A pena prevista para esse delito é de três a dez anos de reclusão, além de multa.
Além de Fernando José Palma Sampaio, foram presos Luiz Henrique de Albuquerque Bueno, Tiago Galve dos Santos e Tales Mariano Carvalho da Silva.
Liberdade provisória e medidas cautelares
Em audiência de custódia realizada no sábado (21), a Justiça Federal concedeu liberdade provisória aos quatro investigados. O juiz Francisco Antônio de Barros e Silva Neto determinou o cumprimento de medidas cautelares:
- - Proibição de acesso a órgãos públicos, com exceção de Fernando Sampaio, que na época ainda estava vinculado ao gabinete do deputado (ele foi exonerado depois);
- - Proibição de contato entre os suspeitos e com testemunhas;
- - Entrega dos passaportes à Polícia Federal no prazo de 72 horas;
- - Proibição de sair do país.
O magistrado negou outros pedidos do Ministério Público Federal (MPF), como o uso de tornozeleira eletrônica, a suspensão parcial das atividades econômicas dos envolvidos e o depósito imediato do dinheiro apreendido. A decisão considerou que essas medidas exigem uma análise mais aprofundada, que será feita pelo juiz responsável pelo processo.
O que diz o deputado Vinicius Carvalho
O deputado federal Vinicius Carvalho (PL-SP) se manifestou por meio de nota enviada por seu advogado, Antônio Belarmino Júnior. Segundo o texto, o assessor afirmou em seu depoimento que o parlamentar não tinha conhecimento dos deslocamentos nem das condutas investigadas.
“Conforme consta do próprio termo de declarações prestado pelo assessor, restou expressamente consignado que o parlamentar não tinha conhecimento dos deslocamentos, tampouco de quaisquer condutas investigadas, inexistindo qualquer relação entre o deputado e os eventos sob apuração”, diz a nota.
A defesa também destacou que o Ministério Público Federal reconheceu não haver elementos que indiquem envolvimento do parlamentar no caso.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para apurar a origem dos recursos apreendidos e possíveis outros crimes relacionados. O dinheiro segue à disposição da Justiça, e os investigados permanecem sujeitos às medidas cautelares impostas.