"Empresário do crime": chefe do tráfico em MG chega a BH após ser preso na Bolívia com dólares e passaporte falso
Douglas de Azevedo Carvalho, o "Mancha", de 34 anos, vivia em mansão de R$ 15 milhões e comandava esquema internacional de drogas. Ele ficou foragido por dois anos após colocar tornozeleira eletrônica em um bicho de pelúcia
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Chegou ao Brasil na manhã desta terça-feira (17) o traficante mineiro Douglas de Azevedo Carvalho, de 34 anos, conhecido como "Mancha". Considerado um dos principais chefes do narcotráfico em Minas Gerais com atuação internacional, ele foi preso no último domingo (15) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Civil de Minas Gerais. O criminoso desembarcou no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, sob forte esquema de segurança e foi levado para o sistema prisional.
Mancha vivia em uma mansão avaliada em R$ 15 milhões em um condomínio de luxo na Bolívia, com piscina, quadra esportiva e móveis de alto padrão. No momento da captura, estava acompanhado da esposa e foram apreendidos com ele US$ 60 mil em espécie, um passaporte italiano falso e uma identidade boliviana também falsificada.
O criminoso começou sua trajetória no crime realizando roubos de carga, mas rapidamente ascendeu no mundo do narcotráfico. Fundador da facção Tropa do Douglas (TDD), também conhecida como Tropa da Doideira, ele posteriormente se aliou ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e também negociava com o Comando Vermelho (CV), atuando como uma espécie de "empresário do crime" que vendia drogas para as principais organizações criminosas do país.
A Polícia Federal e a Polícia Civil trabalharam por cerca de um ano nas investigações que levaram à localização de Mancha. Ele estava foragido desde julho de 2024, quando recebeu o benefício da prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas descumpriu as medidas. Para fugir, o traficante teve uma ideia criativa: removeu o equipamento e o colocou em um macaco de pelúcia, que foi deixado em Escarpas do Lago, na cidade de Capitólio (MG), enganando os agentes por um período.
A ficha criminal de Mancha é extensa, com passagens por tráfico internacional de drogas, tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Seu nome estava na lista de procurados prioritários do Ministério da Justiça e também na Difusão Vermelha da Interpol desde setembro de 2025.
Um dos crimes mais emblemáticos atribuídos a ele é o envio de mais de 300 quilos de cocaína para Portugal, em 2022. A droga foi apreendida em território português escondida em uma carga que simulava o transporte de açaí, demonstrando a sofisticação logística da organização criminosa.
Durante a Operação Glote, comandada pela Delegacia de Operações Especiais (Deoesp) de Belo Horizonte, foram bloqueados cerca de R$ 600 milhões em bens do traficante, incluindo 21 veículos, 24 imóveis e quantias em dinheiro em contas de empresas fictícias e de laranjas. Na época, 17 pessoas foram presas por integrarem a organização criminosa.
Para o delegado Raphael Machado, a captura representa uma das maiores prisões realizadas pela Polícia Civil nos últimos anos. O superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad, classificou Mancha como uma "liderança importantíssima de uma organização criminosa que atuava no Brasil e no exterior".
Após os procedimentos legais em Belo Horizonte, incluindo exame de corpo de delito, o traficante será encaminhado ao Ceresp da Gameleira, onde aguardará decisão da Justiça sobre uma possível transferência para um presídio federal.