31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Após 13 horas de júri, homem é condenado a 24 anos por mandar matar ex-namorado da ex-companheira em Alagoas

Wolkmar dos Santos Júnior foi considerado culpado pelo assassinato de Rian Venâncio, de 18 anos, morto por não aceitar o fim do relacionamento; promotor Frederico Monteiro sustentou tese de premeditação e liderança no crime

Por Redação
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Após 13 horas de júri, MPAL consegue condenação acima de 24 anos para mandante do crime - Foto: Ascom MPAL/Divulgação

Um julgamento que durou mais de 13 horas terminou com a condenação de Wolkmar dos Santos Júnior a 24 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato de Rian Venâncio da Silva, de 18 anos. O crime, ocorrido em Alagoas, teve como motivação o ciúme: Wolkmar não aceitava que sua ex-namorada tivesse voltado a se relacionar com a vítima.

O júri, realizado sob forte tensão, contou com depoimentos contraditórios, acareação entre envolvidos e uma atuação incisiva do Ministério Público. O promotor Frederico Monteiro conseguiu demonstrar ao conselho de sentença que Wolkmar foi o verdadeiro arquiteto do crime — ele teria encomendado a morte de Rian, planejado os detalhes e ordenado as ações dos executores.

Durante o julgamento, o réu tentou se defender atribuindo a culpa a seu padrinho, identificado como "Vavá", e afirmou que o interesse em sua prisão seria para eliminar uma possível concorrência em uma vaga de conselheiro tutelar. No entanto, a versão não convenceu os jurados, especialmente após as contradições reveladas nos depoimentos de outros suspeitos.

Em um dos momentos mais tensos, Wolkmar acusou um homem conhecido como "Eduardo" de ter enterrado a arma do crime. Eduardo, por sua vez, apontou "Pezão" como o responsável por desenterrar e guardar o revólver. Pezão negou a versão, e o promotor pediu a acareação entre eles. Na tentativa de se livrar da culpa, cada um jogava a responsabilidade para o outro, mas o MP deixou claro: todos têm envolvimento no assassinato do jovem.

A ex-namorada de Wolkmar, que também era ex-companheira de Rian, deu um depoimento importante. Ela afirmou que o réu sempre foi agressivo, possessivo e que a perseguia, contrastando com a imagem de pessoa pacata que ele tentou passar. Já sobre a vítima, todos os envolvidos no crime reconheceram que Rian era "um menino muito bom, sem inimizades".

Na sentença, o juiz Geraldo Amorim destacou a gravidade da conduta. "O réu não foi o mero encomendante do crime, mas sim o verdadeiro arquiteto, com liderança sobre terceiro, prévio ajuste das condutas e ordenação das tarefas", escreveu. A decisão acatou as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Após a leitura da sentença, o promotor Frederico Monteiro falou sobre o desfecho. "Encerramos mais um júri muito difícil. Já tínhamos o executor sendo absolvido na comarca de Viçosa, mas nossa sustentação apontou um mosaico de informações e conseguimos convencer o conselho de sentença. A condenação alivia a dor da família e cumpre nosso papel na busca pela justiça", declarou.

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