31 de julho de 2025
porto real do colégio

Ex-marido acusado de envenenar professora com coxinha vai a júri em Alagoas

Felippe Silva Cirino será levado ao Tribunal do Júri nesta quarta-feira (11) pelo feminicídio de Joyce Maria

Por Redação
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Professora Joyce dos Santos Silva Cirino foi morta com uma coxinha envenenada - Foto: Reprodução

Começa nesta semana, na Comarca de Porto Real do Colégio, no interior de Alagoas, o julgamento do acusado de envenenar e matar a professora Joyce Maria da Silva, de 39 anos. O processo tramita sob segredo de Justiça, e apenas as partes diretamente envolvidas, advogados e familiares poderão acompanhar a sessão. A restrição visa preservar a intimidade das testemunhas e da família da vítima, que aguarda por justiça desde o crime que chocou a região.

A prima de Joyce, Luana Alves, revelou detalhes angustiantes dos últimos meses de vida da professora. Segundo ela, a vítima já demonstrava medo de ser envenenada pelo ex-companheiro, Felippe Silva Cirino, e chegou a enviar mensagens e áudios relatando que passava mal após consumir alimentos levados por ele. "Ela mandava mensagens dizendo que estava com medo. Em uma dessas vezes ele levou açaí para ela e percebemos que havia pequenos pedaços de veneno", contou Luana, emocionada.

A família relata que Joyce vivia um relacionamento considerado abusivo, marcado por episódios de traição e violência doméstica. A decisão de se separar do marido já havia sido tomada antes do crime, o que, para os parentes, pode ter motivado o ataque fatal. No dia da morte, o suspeito levou um lanche até a casa onde a professora estava com o filho pequeno do casal. O alimento foi oferecido aos dois, mas apenas Joyce comeu a coxinha. "Ele simplesmente comprou e ofereceu para os dois. Ela comeu primeiro e começou a passar mal. Graças a Deus, o menino preferiu tomar uma sopa que ela tinha preparado e não chegou a comer o salgado", relatou a prima.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Alagoas confirmaram a causa da morte como envenenamento. Exames realizados pela Polícia Científica identificaram a presença de substâncias utilizadas como praguicidas — compostos altamente tóxicos ao organismo humano — no alimento consumido pela professora. Um dos elementos cruciais para as investigações foi um conjunto de fotografias feitas pela irmã da vítima logo após Joyce dar entrada no hospital. As imagens mostravam a embalagem do salgado e restos de coxinhas espalhados pelo chão da residência.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rômulo Andrade, quando os peritos foram até a casa para recolher os materiais, os itens que apareciam nas fotografias já não estavam mais no local. A ausência dos alimentos e das embalagens levantou suspeitas e passou a integrar a linha de investigação sobre possível destruição de provas. Após o avanço das apurações, Felippe Silva Cirino foi localizado e preso na casa de uma tia, no município de São Brás. Desde então, ele permanece à disposição da Justiça e agora será submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por decidir sobre crimes dolosos contra a vida.

O caso gerou forte repercussão na região pela frieza com que o crime teria sido cometido e pela relação de confiança entre vítima e acusado. Para a família da professora, o julgamento representa um momento de busca por justiça e encerramento de um ciclo de dor. "Joice sofreu todos os tipos de violência doméstica previstos na Lei Maria da Penha. O que pedimos é que a lei seja aplicada e que a justiça seja feita", afirmou Luana Alves, confiante de que a morte da prima não ficará impune.