31 de julho de 2025
economia

Caixa projeta carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão ainda no primeiro semestre de 2026

Presidente do banco afirma que meta deve ser alcançada nos próximos meses; instituição registrou lucro recorde de R$ 15,5 bilhões em 2025

Por redação
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Para 2026, a instituição financeira projeta crescimento entre 9% e 13% no volume total de crédito. - Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A Caixa Econômica Federal projeta que sua carteira de crédito alcance R$ 1,5 trilhão ainda no primeiro semestre de 2026. A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (5) pelo presidente da instituição, Carlos Vieira, durante entrevista coletiva em São Paulo.

Segundo o dirigente, o banco deve atingir o valor nos próximos meses, mantendo o ritmo de crescimento registrado no último ano.

“Vai chegar a R$ 1,5 trilhão. Vamos comemorar esse número certamente ainda no primeiro semestre”, afirmou.

Em 2025, a Caixa encerrou o ano com R$ 1,38 trilhão na carteira de crédito, crescimento de 11,5% em relação a 2024. Entre os segmentos que mais impulsionaram o resultado estão o financiamento imobiliário, com alta de 13%, o crédito comercial para pessoas jurídicas, que avançou 14,2%, e o crédito para pessoas físicas, com expansão de 13,4%.

Para 2026, a instituição financeira projeta crescimento entre 9% e 13% no volume total de crédito.

No ano passado, o banco também registrou lucro líquido recorrente recorde de R$ 15,5 bilhões, desempenho 10,4% superior ao obtido em 2024.

Possível interesse em ativos do BRB

Durante a coletiva, Vieira comentou ainda sobre a possibilidade de a Caixa adquirir ativos do Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, a instituição avalia oportunidades de mercado caso apareçam carteiras consideradas estratégicas.

“Se houver alguma carteira que interesse, vamos discutir”, disse.

A declaração ocorre após a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovar um projeto que autoriza a capitalização do banco estatal para cobrir prejuízos ligados a operações com o Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil.

O projeto permite ao governo do Distrito Federal contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou a outras instituições financeiras, além de autorizar a negociação de imóveis públicos para reforçar o capital do banco.

Impacto no sistema financeiro

Em fevereiro, o conselho do FGC aprovou um plano emergencial para recompor o caixa do fundo, após o impacto financeiro causado pela liquidação do Banco Master. O objetivo é garantir liquidez suficiente para cobrir eventuais quebras de instituições financeiras.

De acordo com a diretoria da Caixa, a recomposição do patrimônio do fundo não deve afetar o balanço do banco.

Inadimplência no agronegócio

A Caixa também acompanha o aumento da inadimplência no setor do agronegócio, que atingiu 14,09% no último trimestre de 2025.

Segundo o vice-presidente financeiro da instituição, Marcos Brasiliano, o cenário tem afetado todo o mercado financeiro. Em 2025, o governo federal liberou R$ 12 bilhões em linhas de crédito para ajudar produtores rurais a renegociar ou amortizar dívidas.

Já a vice-presidente de risco da Caixa, Henriete Sartori, afirmou que a estratégia da instituição é manter a carteira do agronegócio próxima do atual patamar de R$ 62,9 bilhões.

A expectativa do banco é de que a inadimplência no setor comece a apresentar sinais de estabilização ao longo do ano, impulsionada também pelo ciclo das safras agrícolas.