Irã nega ter lançado míssil contra Turquia e diz respeitar soberania de país vizinho
Declaração iraniana contradiz versão turca de que projétil foi interceptado por sistemas da Otan; Ancara afirma que destroços caíram no sul do país
Publicado em
O Irã negou formalmente, nesta quinta-feira (5), ter disparado um míssil balístico em direção à Turquia, um dia após o governo turco afirmar que um projétil vindo do território iraniano foi interceptado por sistemas de defesa aérea da Otan. Em comunicado divulgado pela agência estatal de notícias, as Forças Armadas iranianas declararam que "respeitam a soberania do país vizinho e amigo" e rejeitam qualquer acusação de lançamento contra o território turco.
A tensão entre os dois países aumentou na quarta-feira (4), quando o Ministério da Defesa da Turquia informou que um míssil balístico lançado do Irã, após cruzar o espaço aéreo do Iraque e da Síria, foi detectado se aproximando do território turco e imediatamente "neutralizado" por sistemas da Otan estacionados no Mediterrâneo Oriental. Autoridades turcas afirmaram que destroços do míssil de defesa caíram no distrito de Dortyol, na província de Hatay, no sul do país, sem causar vítimas.
Reações e risco de escalada
O incidente colocou a Turquia, membro da Otan, em uma posição delicada no conflito que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, protestou junto a seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, em uma ligação telefônica. A Otan condenou o ocorrido e declarou solidariedade à Turquia, afirmando que sua postura de "dissuasão e defesa permanece forte".
Apesar da gravidade, Ancara não acionou formalmente o Artigo 4 da Otan, que permite consultas entre aliados quando a segurança de um membro é ameaçada, nem o Artigo 5, cláusula de defesa coletiva que obrigaria todos os 32 países da aliança a responder a um ataque. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse não haver indícios de que o incidente acionaria o Artigo 5.
A versão iraniana, no entanto, contradiz diretamente os relatos turcos e de autoridades ocidentais. O jornal The New York Times noticiou que Araqchi, em conversa com o chanceler do Catar, afirmou que os mísseis iranianos tinham como alvo apenas interesses dos EUA, e não países do Golfo ou a Turquia. A WION, citando autoridades turcas, chegou a especular que o míssil "teria se desviado da rota" em direção a uma base em Chipre.
Contexto do conflito
O episódio ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que já dura seis dias e provocou centenas de mortes, incluindo a do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Desde o início da operação militar liderada por EUA e Israel, o Irã lançou ataques retaliatórios com mísseis e drones contra Israel e bases americanas em países do Golfo, como Bahrein, Catar, Kuwait e Emirados Árabes.
A Turquia, que antes do conflito tentava mediar negociações entre Irã e EUA, agora se vê na linha de frente de uma crise que ameaça se alastrar ainda mais pela região. O governo turco afirmou que tomará "todas as medidas necessárias" para defender seu território e alertou contra ações que possam levar a uma escalada ainda maior.