Polícia Civil do Amazonas identifica PM e servidor como suspeitos de integrar “núcleo político” do Comando Vermelho
Operação deflagrada em seis estados aponta que facção criminosa tinha colaboradores em diferentes esferas do poder público
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Uma investigação da Polícia Civil do Amazonas identificou a atuação de policiais militares e de servidores públicos como parte de um “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que teria facilitado a entrada e distribuição de drogas e buscado proteção institucional em diversas esferas do poder.
A operação, realizada nesta sexta‑feira (20/2), cumpriu mandados de prisão e busca em ao menos seis estados, incluindo Amazonas, Pará, Ceará, Piauí, Minas Gerais e outras unidades federativas, com base em investigações que apontam a existência de uma estrutura organizada voltada para interesses políticos e logísticos da facção.
De acordo com a polícia, o grupo usava relações dentro do Executivo, Legislativo e Judiciário locais para proteger integrantes do CV e intermediar interesses da organização criminosa, com atuação estruturada que ultrapassava o mero tráfico de drogas.
Entre os investigados estão:
- Adriana Almeida Lima – x-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas, citada como participante do núcleo político do CV.
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil, apontada como integrante do esquema.
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas.
- Josafá de Figueiredo Silva – ex‑assessor parlamentar envolvido no grupo.
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar apontado como colaborador.
- Bruno Renato Gatinho Araújo e Alcir Queiroga Teixeira Júnior – servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas, outros nomes associados às funções de apoio à facção e Ronilson Xisto Jordão
Segundo as investigações, essas pessoas teriam facilitado acessos privilegiados, intermediado interesses e tentado obter informações sigilosas sobre investigações em andamento contra o grupo criminoso.
Como funcionava o núcleo político
A atuação do núcleo, conforme relatado pela Polícia Civil do Amazonas, não se limitava à criminalidade armada. O grupo teria se estruturado para favorecer o esquema no plano institucional, buscando proteção, acesso à informação e facilitação de rotas logísticas para o tráfico, incluindo apoio à movimentação de drogas oriundas da fronteira com a Colômbia, antes de sua distribuição para outros estados do país.
As forças de segurança também apuraram o uso de empresas de fachada nos ramos de transporte, locação e logística para dar aparência legal a operações da organização criminosa e dificultar o rastreamento de recursos financeiros ilícitos associados ao grupo.
A investigação estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018, incluindo atividades de tráfico internacional de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Os suspeitos detidos devem responder por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de bens.