Confrontos entre polícia e manifestantes marcam debate sobre reforma trabalhista na Argentina
Polícia usa gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes em Buenos Aires enquanto Câmara discute projeto de Milei
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Policiais e manifestantes entraram em confronto nesta quinta-feira (19) em frente ao Congresso da Argentina, em Buenos Aires, enquanto a Câmara dos Deputados discutia a proposta de reforma trabalhista enviada pelo governo de Javier Milei. O Senado já havia aprovado o texto na semana passada.
De acordo com veículos locais, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo e jatos de água para conter manifestantes que tentavam romper os bloqueios de segurança instalados ao redor do prédio do Congresso. A expectativa do governo é que a proposta seja votada em plenário no dia 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, início do período de sessões ordinárias do Legislativo.
O projeto de reforma, considerado uma das maiores mudanças nas leis trabalhistas argentinas em décadas, flexibiliza contratos, altera regras de férias e jornada, facilita demissões e limita greves em setores essenciais. Segundo especialistas, a medida integra um pacote de reformas estruturais voltadas à estabilização econômica e estímulo ao emprego formal.
Para reduzir custos trabalhistas e incentivar a formalização, entre os principais pontos estão: férias mais flexíveis, extensão do período de experiência, jornada diária de até 12 horas, negociação coletiva local, redução de indenizações e regulamentação do trabalho em plataformas digitais. A reforma não alcança servidores públicos, exceto em regras sobre serviços essenciais.
A maior central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), promoveu uma greve geral que afetou transporte público, comércio e voos, inclusive com impactos para o Brasil. O governo pediu que a imprensa siga medidas de segurança e estabeleceu zonas exclusivas para cobertura, prevendo novas manifestações nos próximos dias.
Na quarta-feira (12), manifestações semelhantes terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos. Analistas apontam que o debate sobre a reforma pode gerar tensões sociais e políticas, com repercussões para a agenda econômica e a popularidade do governo Milei.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, equivalente a 6,6% de taxa de desocupação.