31 de julho de 2025

“Até eu tenho medo de me deparar com o ICE”, diz Wagner Moura

Ator criticou políticas migratórias dos EUA e fez paralelo com avanço da extrema direita no Brasil

Por Redação
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Segundo o ator, artistas, jornalistas e universidades costumam ser alvos recorrentes em contextos de avanço da extrema direita. - Foto: Divulgação

O ator Wagner Moura afirmou temer as ações de controle migratório adotadas nos Estados Unidos e criticou o cenário político do país. Em entrevista ao jornal El País, o artista — indicado ao Oscar por O Agente Secreto — disse que teria receio de se deparar com agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE).

“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, declarou.

Na entrevista, Moura também fez críticas às políticas do governo do presidente Donald Trump e traçou um paralelo entre o cenário norte-americano e o brasileiro, destacando o que classificou como padrões semelhantes adotados por movimentos autoritários.

Segundo o ator, artistas, jornalistas e universidades costumam ser alvos recorrentes em contextos de avanço da extrema direita. “É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”, afirmou.

Moura também comentou o papel das redes sociais nesse processo. Ele citou a plataforma Facebook como exemplo de ferramenta que, segundo ele, inicialmente era vista como espaço de democratização da informação, mas que acabou sendo utilizada de outras formas.

“Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão e mobilização. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo”, concluiu.