Mãe de Miguel cobra Justiça seis anos após morte: "Viaja pela Europa enquanto eu vou ao cemitério"
Em desabafo emocionado, Mirtes Renata questiona demora no julgamento de recursos de Sari Corte Real, que responde em liberdade por abandono de incapaz com resultado morte
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Quase seis anos após a tragédia que chocou o país, Mirtes Renata, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, voltou a cobrar Justiça nas redes sociais. Em um desabafo publicado nesta quarta-feira, ela expressou indignação com a demora no julgamento dos recursos da ex-patroa Sari Corte Real, condenada por abandono de incapaz com resultado morte, mas que responde ao processo em liberdade.
Condenada em 2022 a oito anos e seis meses de prisão, pena posteriormente reduzida para sete anos em novembro de 2023, Sari aguarda em liberdade o trânsito em julgado da ação enquanto a defesa recorre. Para Mirtes, a sensação é de impunidade. "Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo. Eu preciso lutar por justiça e para que meu neguinho não seja esquecido", escreveu.
No desabafo, a mãe comparou sua rotina com a da condenada: "Ela leva os filhos para conhecer Paris. Eu vou ao cemitério para ver meu filho. Condenada, mas livre para viajar e ter tempo em família. E eu, sem o cumprimento da sentença, condenada a viver sem meu Miguel. Nunca mais poderei mostrar o mundo a ele."
Mirtes também direcionou questionamentos ao Tribunal de Justiça de Pernambuco: "Quando será marcada a data do julgamento dos recursos? Quando teremos uma resposta que realmente represente justiça? Quando a condenação deixará de ser apenas no papel?"
Veja a postagem:
O caso aconteceu em 2 de junho de 2020, no Condomínio Píer Maurício de Nassau, no Recife. Mirtes havia descido para passear com o cachorro da patroa enquanto Miguel, de 5 anos, ficou no apartamento. Imagens de segurança mostraram o menino entrando sozinho no elevador após a porta ser fechada. O equipamento parou no nono andar, e Miguel caiu do prédio, morrendo ao dar entrada no hospital.
Sari foi presa em flagrante e liberada após pagar fiança. Além do processo criminal, ela e o ex-prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, respondem a uma ação trabalhista relacionada à contratação irregular de Mirtes e sua mãe durante a pandemia. A família chegou a obter decisão favorável com indenização de R$ 1 milhão, mas a medida foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça em setembro de 2024.
Desde 2021, Mirtes cursa Direito para acompanhar de perto os desdobramentos do caso e segue cobrando que a condenação seja efetivamente cumprida.