31 de julho de 2025
Venezuela

Familiares de presos políticos fazem greve de fome em Caracas

Mulheres protestam há dias nos arredores de unidade policial e cobram libertação de detidos após atraso em anistia prometida

Por Redação
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Familiares de um preso político deitam-se no chão durante protesto em frente à prisão. - Foto: FEDERICO PARRA / AFP

Um grupo de familiares de presos políticos venezuelanos mantém uma greve de fome nos arredores de uma unidade da Polícia Nacional Bolivariana, em Caracas, para exigir a libertação dos detidos. A mobilização, iniciada no sábado (14), reúne dez mulheres que já completaram mais de 96 horas sem se alimentar.

Segundo a Organização Não Governamental Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, uma das manifestantes desmaiou na segunda-feira (16) e precisou ser levada a um hospital em um táxi, devido à ausência de ambulâncias disponíveis. As mulheres têm idades entre 23 e 46 anos e permanecem deitadas sobre colchões, em vigília permanente.

Em publicação na rede social X, a ONG alertou que a falta de resposta das autoridades coloca em risco a saúde das manifestantes e também dos presos que aderiram à greve de fome dentro da delegacia, conhecida como Zona 7. De acordo com a entidade, os detidos já ultrapassam 120 horas sem alimentação.

A organização também denunciou que policiais impediram a entrada de soro para os presos, sem apresentar justificativa. No local do protesto, há um painel com informações sobre o tempo da greve e uma faixa com a frase “Liberdade para todos”.

O ato é motivado, segundo a ONG, pelo descumprimento de uma promessa feita pelo presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, que em 6 de fevereiro afirmou que todos os presos políticos seriam libertados após a aprovação de uma lei de anistia — o que ainda não ocorreu.

No sábado, o próprio parlamentar informou a libertação de 17 detidos na Zona 7. A discussão sobre a anistia ocorre em meio a um novo cenário político no país, após a posse da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo depois da retirada do então presidente Nicolás Maduro do poder, em janeiro.