Desfile sobre Lula cita Temer, retrata Bolsonaro como “Bozo” e gera reação da oposição
Acadêmicos de Niterói levou trajetória do presidente à Sapucaí; Partido Novo acionou o TSE por suposta propaganda antecipada
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o enredo da Acadêmicos de Niterói na abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio, neste domingo (15), e o desfile acabou provocando embate político e questionamentos jurídicos.
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o enredo percorreu a trajetória do presidente desde a infância em Garanhuns (PE), a migração para São Paulo, o período como líder sindical e a chegada ao Palácio do Planalto. Lula acompanhou a apresentação na Marquês de Sapucaí, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
Representações políticas na avenida
A comissão de frente e os carros alegóricos encenaram episódios marcantes da política recente. Um dos trechos mostrou a passagem da faixa presidencial de Dilma Rousseff, seguida de uma encenação em que Michel Temer aparece tomando a faixa.
Na sequência, a narrativa incluiu a prisão de Lula e a entrega simbólica da faixa a um personagem caracterizado como “Bozo”, referência ao palhaço famoso nos anos 1980, apontado no desfile como alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em outro momento, o enredo representou o retorno de Lula ao poder e a prisão do personagem, ao lado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Programas sociais dos governos petistas também foram exaltados em alas temáticas. Lula foi retratado em diferentes fases da vida, inclusive como metalúrgico e como chefe do Executivo.
Questionamento no TSE
A homenagem gerou reação da oposição sob o argumento de possível propaganda eleitoral antecipada. Lula é apontado como pré-candidato à reeleição.
O Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que a participação do presidente fosse barrada, além da suspensão de publicações relacionadas ao desfile. A legenda também questionou o fato de a escola ter recebido cerca de R$ 1 milhão em recursos públicos.
Na quinta-feira (12), o TSE decidiu que impedir previamente a apresentação configuraria censura prévia. Os ministros entenderam que não é possível julgar eventual irregularidade antes de sua ocorrência. O processo, no entanto, segue em tramitação e poderá resultar em sanções caso a Justiça Eleitoral identifique infração.
Pela legislação, a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 5 de julho do ano eleitoral.
Repercussão política
Parlamentares e lideranças da oposição se manifestaram nas redes sociais. O senador Sergio Moro (União-PR) criticou o desfile e afirmou que recursos públicos teriam sido usados para promover o presidente.
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, declarou que pretende pedir a cassação do registro de candidatura de Lula quando ele formalizar a disputa. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a prisão de Lula é “registro judicial”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também criticaram o desfile e falaram em judicialização do caso.
O episódio levou o debate político para o centro da maior festa popular do país e deve continuar repercutindo nos próximos dias, tanto no campo jurídico quanto no eleitoral.