Americanas é condenada por racismo contra cliente no Recife
Cliente relatou ter sido seguido pelo gerente ao comprar chocolates; decisão prevê R$ 10 mil por danos morais
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A Americanas foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais a um homem negro que afirma ter sido seguido por um gerente dentro da unidade localizada na Rua Sete de Setembro, no bairro da Boa Vista, no Recife. A decisão, de primeiro grau, cabe recurso.
O porteiro José Aparecido de Goes, de 38 anos, relata que foi acompanhado pelo gerente em 22 de outubro de 2025 enquanto comprava caixas de chocolate em promoção. Segundo ele, o gerente o seguiu por considerar que ele poderia tentar roubar, “por ser negro e de baixa renda”.
“Eu peguei quatro caixas de chocolate e ele me seguiu até o caixa”, disse José, lembrando que o gerente teria se aproximado do segurança e insinuado que ele pretendia sair sem pagar por duas delas. O segurança, que já conhecia o porteiro, defendeu a vítima.
O caso foi registrado em boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Crimes contra o Consumidor no dia 29 de outubro.
Argumentos da empresa
Em sua defesa, a Americanas alegou que não há provas de que o gerente tenha realizado qualquer abordagem ou acusação, e que a vigilância seria parte das funções do funcionário para proteger o patrimônio da loja. A empresa também destacou que, devido ao tempo decorrido, as imagens de câmeras de segurança não estavam mais disponíveis.
Em nota, a Americanas afirmou que não comenta processos em curso, repudia qualquer forma de discriminação e promove ações de diversidade, ética e inclusão em toda a operação.
Decisão judicial
A juíza Ana Virgínia da Costa Carvalho de Albuquerque, do 4º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), avaliou que as provas testemunhais apresentadas foram idôneas e que o contexto de racismo estrutural e institucional indica que a cor da pele de José foi determinante para a conduta do gerente.
“Ressalte-se que a forma da abordagem, aliada ao contexto social de racismo estrutural e institucional, permite inferir que a cor da pele do autor foi fator determinante para a conduta adotada pelos prepostos da ré”, escreveu a magistrada.
Nota da Americanas na íntegra:
A Americanas informa que não comenta processos em curso. A companhia repudia qualquer tipo de discriminação e tem entre seus valores a ética e a pluralidade, promovendo um ambiente seguro, diverso e equitativo como pilar essencial para a construção de uma sociedade mais justa.
Além de ser signatária do Movimento pela Equidade Racial - MOVER desde 2021, a Americanas iniciou, em 2022, sua jornada de Letramento Racial e ações afirmativas para 100% de seus funcionários com o objetivo de sensibilizar e desenvolver, internamente, ferramentas que erradiquem práticas discriminatórias. Em seu Código de Ética, Política de Diversidade, Inclusão e Direitos Humanos, a companhia reafirma este compromisso com a inclusão, a equidade e o respeito em todas as suas relações, exercitando esses valores em toda sua operação.