Pai de santo foragido por estupros é preso escondido embaixo da cama no DF
Leandro Mota Pereira, conhecido como Pai Leandro de Oxóssi, é investigado por dopar, estuprar e ameaçar pelo menos quatro mulheres e uma adolescente
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O pai de santo Leandro Mota Pereira, de 37 anos, foi preso na noite dessa terça-feira (10) em Sobradinho II (DF) por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Conhecido como Pai Leandro de Oxóssi, ele estava foragido desde agosto e foi encontrado escondido embaixo da cama dentro de um quarto em um condomínio residencial.
Contra ele havia um mandado de prisão em aberto pelo crime de estupro de vulnerável. Além disso, o religioso é investigado por pelo menos outros quatro estupros contra mulheres e uma adolescente, cometidos entre maio de 2024 e junho de 2025.
De acordo com as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal, as vítimas, com idades entre 17 e 30 anos, frequentavam o terreiro de umbanda comandado por ele, em Sobradinho. Leandro simulava incorporações de entidades como "Zé Pilintra" para convencer as vítimas de que as relações sexuais eram determinadas por espíritos.
Ele escolhia mulheres em situação de vulnerabilidade emocional e as convidava para passar fins de semana na propriedade rural onde funcionava o terreiro, criando um ambiente de confiança e acolhimento para, em seguida, cometer os abusos.
Em um dos casos, uma adolescente de 17 anos era dopada com chá e suco oferecidos pelo líder religioso. Ela acordava com cólicas e sangramentos. Em uma das noites, após tomar apenas um gole, despertou com o pai de santo nu, deitado sobre ela. Ele tapou sua boca para evitar que gritasse e consumou o estupro.
Os abusos se repetiram por semanas. Leandro ameaçava matar o irmão da vítima com "macumba" caso ela contasse sobre os ataques. Ele sussurrava: "O Zé já me falou que você quer", simulando a entidade para justificar os crimes.
Outra vítima, que buscou o terreiro em busca de cura espiritual, foi coagida a manter relações sexuais com o religioso dentro da loja de artigos afro-brasileiros que ele mantinha. Leandro dizia que precisava "ensiná-la algo". Os estupros ocorreram por semanas.
Em uma das ocasiões, ele amarrou as mãos da vítima e usou um cinto para bater em suas costas e nádegas, mesmo com os pedidos para que parasse. A mulher passou a ser perseguida e ameaçada, e precisou mudar de cidade e de número de telefone para escapar.
Procurado, Leandro nega todas as acusações. "Jamais dopei ninguém com chá", afirmou. Disse também que nunca ficou sozinho com mulheres na loja ou no terreiro e que sempre esteve acompanhado da esposa. Sobre as ameaças, declarou: "Nunca ameacei nem hackeei o celular de ninguém".
Após a prisão, ele foi encaminhado à 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II) e permanece à disposição da Justiça.