Ipea diz que mercado de trabalho pode absorver jornada de 40 horas e fim do 6x1
Estudo aponta impacto de menos de 1% nos grandes setores, mas empresas menores podem precisar de transição gradual
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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o mercado de trabalho brasileiro tem capacidade de absorver uma redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, incluindo o fim da escala 6x1, que concede um dia de descanso a cada seis trabalhados.
De acordo com o estudo publicado nesta terça-feira (10), os custos para as grandes indústrias e comércio seriam baixos, inferiores a 1% do total das operações. Já setores de serviços que dependem de mais mão de obra, como vigilância e limpeza, podem enfrentar impactos maiores e necessitar de transição gradual e contratação parcial para manter o funcionamento.
O pesquisador Felipe Pateo destacou que, em empresas de grande porte, o custo com trabalhadores representa menos de 10% das despesas totais, enquanto pequenas empresas enfrentam desafios maiores devido à concentração de jornadas superiores a 40 horas. Entre companhias com até quatro funcionários, 87,7% dos trabalhadores cumprem mais de 40 horas semanais; entre aquelas com cinco a nove empregados, o índice sobe para 88,6%.
O estudo aponta ainda que a jornada de 44 horas está associada a trabalhadores de menor renda e escolaridade. Reduzir a carga horária, segundo Pateo, pode reduzir desigualdades ao aumentar o valor da hora trabalhada para os empregados em condições mais precárias. A pesquisa mostra que trabalhadores de até 40 horas recebem, em média, R$ 6,2 mil, enquanto aqueles com 44 horas recebem menos da metade e possuem menor escolaridade.
Atualmente, 74% dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados na Rais de 2023 têm jornada de 44 horas. Em 31 dos 87 setores analisados, mais de 90% dos funcionários trabalham acima de 40 horas semanais.
O tema voltou ao debate político neste início de ano. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que votar a redução da jornada é prioridade e que a análise pode ocorrer em maio. No Congresso, tramitam duas propostas: a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu o assunto entre as prioridades do governo para este semestre.