31 de julho de 2025
MUNDO

Congressistas dos EUA denunciam "acobertamento" do governo Trump em documentos do caso Epstein

Republicanos e democratas criticam tarjas excessivas e dificuldades para acessar versões completas dos arquivos; Ghislaine Maxwell se recusa a depor sem perdão presidencial

Por Redação
Publicado em
Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein - Foto: Reprodução/AFP; Reuters

Deputados republicanos e democratas dos Estados Unidos têm criticado publicamente o governo Trump por falta de transparência no acesso aos arquivos do caso Epstein. Eles estão indo pessoalmente ao Departamento de Justiça para examinar versões dos documentos com menos tarjas (censuras) do que as divulgadas ao público, e muitos classificam o processo como um “acobertamento”.

A crise ganhou força após a última grande divulgação de cerca de 3 milhões de documentos no final de janeiro, que gerou uma petição assinada por 217 congressistas exigindo acesso às versões integrais. Mesmo com o acesso privilegiado concedido, parlamentares como os deputados Ro Khanna (democrata) e Thomas Massie (republicano) denunciaram na segunda-feira (9) um “tarjamento excessivo” por parte do FBI e dos tribunais.

Principais críticas:

  • Tarjas desnecessárias: Massie relatou que descobriu por conta própria um dos nomes censurados – Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria's Secret –, o que levou o Departamento de Justiça a remover a tarja da versão pública.
  • Estrutura inadequada: O deputado Jamie Raskin (democrata) criticou a disponibilização de apenas quatro computadores para todos os congressistas analisarem os milhões de documentos, chamando a situação de “acobertamento”.
  • Exigência de responsabilização: Políticos de ambos os partidos argumentam que, dada a magnitude da rede de tráfico sexual com mais de 1.000 vítimas, é impossível que apenas uma cúmplice (Ghislaine Maxwell) tenha sido identificada. Eles exigem que todos os envolvidos sejam responsabilizados.

Paralelamente, Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por ser cúmplice de Epstein, recusou-se a depor perante uma comissão do Congresso na segunda-feira (9), invocando seu direito de não produzir provas contra si mesma. Seus advogados disseram que ela só falaria se recebesse um perdão (indulto) do presidente Donald Trump.

O caso envolve o bilionário Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma vasta rede de tráfico sexual de menores até sua morte na prisão em 2019. Os documentos em discussão prometem revelar detalhes de sua rede de contatos entre as elites política e financeira global. A pressão no Congresso americano por transparência total continua a crescer.

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