Inflação de janeiro repete 0,33% e continua dentro da meta estabelecida
IPCA é pressionado pelo ICMS sobre combustíveis, mas segurado pela bandeira verde de energia; índice acumula 4,44% em 12 meses e segue dentro da meta
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A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,33% em janeiro, patamar idêntico ao de dezembro. O dado, divulgado nesta terça-feira (10) pelo IBGE, mostra um jogo de forças entre itens importantes do orçamento familiar: enquanto a gasolina exerceu a maior pressão de alta, a conta de luz mais barata ajudou a segurar o índice.
A alta dos combustíveis, puxada pelo reajuste do ICMS que passou a valer no início do ano, foi o principal vilão. A gasolina subiu 2,06%, contribuindo com 0,10 ponto percentual para o IPCA. Já o alívio veio da tarifa de energia elétrica residencial, que caiu 2,73% e puxou o índice para baixo em 0,11 ponto, graças à vigência da bandeira tarifária verde durante todo o mês de janeiro, sem cobrança de adicional.
Com o resultado, a inflação acumula 4,44% nos últimos 12 meses, permanecendo dentro do limite máximo de tolerância da meta do governo, que é de 4,5%. O centro da meta é de 3%. O grupo de Transportes, impactado pelos combustíveis e também por reajustes de passagens de ônibus em várias capitais, registrou a maior alta (0,60%).
A boa notícia ficou por conta dos alimentos, que tiveram a menor variação mensal (0,23%) desde 2006. A queda no preço do leite longa vida (-5,59%) e dos ovos (-4,48%) compensaram as altas expressivas de itens como o tomate (20,52%). Para o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, fatores como o aumento da produção e a trajetória de queda do dólar contribuíram para esse cenário.
O núcleo de serviços, importante termômetro da atividade econômica, apresentou modesta alta de 0,10% em janeiro, a menor desde junho de 2024. Já os preços monitorados (como combustíveis e tarifas públicas) subiram 0,53%, influenciados principalmente pela gasolina e pelo transporte coletivo. As projeções do mercado financeiro, coletadas pelo Banco Central, estimam que o IPCA fechará 2026 em 3,97%.