31 de julho de 2025
internacional

Moscas chinesas se adaptam geneticamente para invadir Estados Unidos, indica estudo

Espécie conhecida como mosca-lanterna-pintada desenvolveu resistência a calor urbano e pesticidas, acelerando sua disseminação

Por redação
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Apesar do nome, a mosca-lanterna-pintada não é uma mosca verdadeira, mas um percevejo-das-plantas. - Foto: Vicki Jauron, Babylon and Beyond Photography/Getty Images

Desde 2024, as moscas-lanternas-pintadas (Lycorma delicatula), nativas da China, vêm se espalhando rapidamente pelos Estados Unidos. Um novo estudo revela que a invasão bem-sucedida ocorreu porque os insetos se adaptaram geneticamente, tornando-se mais resistentes ao calor urbano e aos pesticidas.

A pesquisa, liderada pela Universidade de Nova York em parceria com outras instituições norte-americanas, utilizou o sequenciamento do genoma de moscas em áreas urbanas e rurais da China e de estados norte-americanos como Connecticut e Nova Jersey. Os resultados, publicados na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, mostram que as populações urbanas da China apresentam diferenciação genética significativa em comparação com as rurais, indicando que as pressões ambientais das cidades aumentaram a capacidade dos insetos de resistir a calor, metabolizar toxinas e enfrentar pesticidas.

“As espécies invasoras lidaram com estresses como calor e pesticidas, usando os ambientes urbanos como uma espécie de incubadora para aumentar suas capacidades adaptativas”, afirma a autora principal, Fallon (Fang) Meng. Já os insetos nos Estados Unidos mostram pouca variação genética, indicando que a preparação genética na China facilitou sua rápida disseminação nos novos ambientes.

Apesar do nome, a mosca-lanterna-pintada não é uma mosca verdadeira, mas um percevejo-das-plantas. Ela se alimenta da seiva das plantas e libera um fluido pegajoso e açucarado que favorece o crescimento de fungos como a fumagina, prejudicando a fotossíntese das plantas. Esse resíduo também atrai abelhas, desviando-as das flores. A espécie já foi registrada em 19 estados norte-americanos, além de Coreia do Sul e Japão.

“O estudo mostra que invasão biológica e urbanização são processos interconectados, cujos efeitos podem se combinar de maneiras inesperadas”, conclui Meng.