31 de julho de 2025
RACISMO

Justiça decreta prisão preventiva de argentina que imitou macaco para ofender funcionários de bar no Rio

Caso ocorreu em Ipanema e começou após discordância sobre o valor da conta

Por Patrícia Fahlbusch
Publicado em
Crime de racismo no Brasil prevê pena de prisão de 2 a 5 anos.  - Foto: Reprodução - Redes sociais

A mulher que imitou um macaco durante uma discussão com um funcionário negro de um estabelecimento no Rio de Janeiro teve aceita a denúncia contra ela na Justiça do Rio, feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, bem como a decretação da prisão preventiva. A turista argentina e influenciadora Agostina Paez foi flagrada fazendo os gestos racistas no dia 14 de janeiro. O caso aconteceu um bar em Ipanema, na zona sul da capital fluminense. A decisão foi tomada pela 37ª Vara Criminal do Rio. A justiça já tinha proibido a denunciada de deixar o Brasil, reteve seu passaporte e determinou o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a ação penal, Agostina “estava com duas amigas em um bar na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, quando discordou dos valores da conta e chamou um funcionário do estabelecimento de negro, de forma ofensiva, com o propósito de discriminá-lo e inferiorizá-lo em razão de sua raça e cor”. Ela chegou a ser advertida pelo homem de que a conduta configurava crime no Brasil. A mulher disse a palavra “mono”, que significa macaco, em espanhol, e fez os gestos simulando o animal. Ao sair do bar, na calçada em frente ao estabelecimento, Agostina proferiu outras expressões, emitindo ruídos e fazendo novamente gestos imitando macaco contra outros três funcionários.

A promotoria destacou que os relatos das vítimas foram corroborados por declarações de testemunhas, imagens do circuito interno de monitoramento do bar e outros registros produzidos no momento dos fatos.

A justiça rejeitou “a versão apresentada pela denunciada de que os gestos teriam sido meras brincadeiras dirigidas às amigas, especialmente diante do fato de que uma das turistas tentou impedir Agostina de continuar com as ofensas, o que evidencia a consciência da acompanhante quanto à reprovabilidade da conduta”.

O crime de racismo no Brasil, previsto na Lei nº 7.716/89, tem pena de prisão de 2 a 5 anos.