31 de julho de 2025
impressionante

Menino de 13 anos nada por quatro horas no mar da Austrália e salva a própria família

Arrastados pela correnteza por até 14 km da costa, mãe e três filhos viveram um drama de mais de 10 horas

Por Redação
Publicado em
Austin Appelbee tem 13 anos e foi um verdadeiro herói - Foto: Briana Shepherd/ABC via AP

Um adolescente australiano de apenas 13 anos protagonizou uma história de sobrevivência e coragem ao nadar por cerca de quatro horas em mar aberto para buscar ajuda depois que sua família foi arrastada pela correnteza, no oeste da Austrália. Austin Appelbee disse à BBC que não se considera um herói. “Eu apenas fiz o que fiz”, afirmou.

O que começou como um dia tranquilo em família na praia de Quindalup transformou-se em um calvário de mais de dez horas. Austin estava no mar com a mãe, Joanne, de 47 anos, e os irmãos Beau, de 12, e Grace, de oito, utilizando pranchas de stand-up paddle e um caiaque, quando o vento aumentou repentinamente e eles perderam os remos, sendo levados cada vez mais para longe da costa.

Ao perceber a gravidade da situação, Joanne decidiu que alguém precisava buscar ajuda, mas não podia deixar sozinhos os dois filhos mais novos. Austin, então, tentou retornar à praia em um caiaque, sem saber que a embarcação estava danificada e acumulando água. Durante o trajeto, ele perdeu um dos remos e, em determinado momento, o caiaque virou definitivamente.

Sozinho em alto-mar, Austin passou horas agarrado ao caiaque virado antes de decidir nadar os últimos quatro quilômetros até a costa. Em meio ao cansaço extremo, abandonou até o colete salva-vidas, que já não ajudava. “Eu estava com muito medo”, contou. Segundo ele, orações, músicas cristãs e pensamentos na família foram essenciais para continuar.

Enquanto isso, Joanne e as crianças permaneciam à deriva, cada vez mais distantes da terra firme. Com o passar das horas, as ondas aumentaram, a visibilidade diminuiu e o frio se intensificou. Sem água ou comida, Joanne chegou a acreditar que o filho mais velho não tivesse sobrevivido. Quando finalmente avistaram um barco de resgate, já estavam a cerca de 14 quilômetros da costa.

Austin conseguiu chegar à praia por volta das 18h, encontrou a bolsa da mãe e fez a ligação que desencadeou uma grande operação de busca marítima. Exausto, ele desmaiou após o pedido de socorro e foi levado ao hospital. Ainda sem notícias da família, chorou ao falar com o pai, até receber, minutos depois, a confirmação de que todos haviam sido encontrados com vida.

O reencontro foi marcado por emoção. Médicos, policiais e socorristas comemoraram o desfecho positivo. “Foi um momento que nunca vou esquecer”, disse Austin. A família recebeu atendimento médico por ferimentos leves, e o mesmo paramédico que socorreu o garoto pôde confirmar pessoalmente à mãe que ele estava vivo.

Foto: Briana Shepherd/ABC via AP

Apesar das dores nas pernas, que o obrigam a usar muletas, Austin já voltou à escola. Ele segue tentando processar tudo o que aconteceu e prefere direcionar os elogios aos serviços de emergência. “Foi uma batalha difícil”, reconheceu.

As autoridades, no entanto, não economizaram palavras. O comandante do Grupo de Resgate Marítimo Voluntário de Naturaliste, Paul Bresland, classificou a travessia do adolescente como “sobre-humana”. Já o policial James Bradley afirmou que a determinação e a coragem de Austin “não podem ser elogiadas o suficiente” e foram decisivas para salvar a vida de sua mãe e irmãos.