Idoso de 80 anos pode ser primeiro suspeito em esquema que permitia turistas atirar em civis durante Guerra da Bósnia
Investigação em Milão apura que cidadãos italianos pagavam até R$ 610 mil a militares sérvio-bósnios para caçar civis em Sarajevo nos anos 1990.
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Um homem de 80 anos tornou-se o primeiro suspeito identificado em um inquérito sobre um suposto “safári humano” ocorrido durante o cerco de Sarajevo, entre 1992 e 1995, na Guerra da Bósnia. A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Milão, busca esclarecer o esquema em que turistas italianos pagavam a milícias sérvio-bósnias e intermediários para atirar em civis na capital da Bósnia e Herzegovina.
Segundo a denúncia, os turistas desembolsavam entre 80 mil e 100 mil euros (aproximadamente R$ 490 mil a R$ 610 mil) para serem armados e posicionados nas colinas ao redor da cidade, onde disparavam contra alvos civis, incluindo crianças. A investigação aponta que as excursões partiam de Trieste, na Itália, e aconteciam durante fins de semana, entre 1993 e 1995.
O suspeito, ex-caminhoneiro residente próximo a Pordenone, no norte da Itália, pode responder por homicídios premeditados e agravados por motivo torpe. Ainda não está claro se ele teria cometido os assassinatos diretamente ou atuado em logística e transporte dos clientes.
O caso veio à tona a partir de reportagens do jornalista Ezio Gavazzeni, que retomou a investigação após o lançamento do documentário esloveno “Sarajevo Safari”, em 2023. Segundo ele, os participantes eram pessoas ricas e respeitáveis, que voltavam à vida normal após cometer crimes brutais.
O cerco de Sarajevo durou quase quatro anos, com franco-atiradores posicionados nas montanhas ao redor da cidade e bloqueios de água, luz e gás. Estima-se que 5.434 civis foram mortos, incluindo cerca de 1.500 crianças, e outros 15 mil ficaram feridos. O conflito ficou marcado por crimes de guerra, limpeza étnica e genocídio, sendo encerrado com os Acordos de Dayton, em novembro de 1995.