31 de julho de 2025
BRASIL

Contrabando de canetas emagrecedoras usa rotas do tráfico de drogas em MS

Mais de 12 mil doses foram apreendidas só em 2025 no estado, que se tornou uma porta de entrada ilegal. Produtos sem controle sanitário oferecem graves riscos à saúde

Por Redação
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Medicamentos emagrecedores e drogas são apreendidos nas rodovias de MS. - Foto: Divulgação

Mato Grosso do Sul se transformou em uma das principais rotas de contrabando das chamadas "canetas emagrecedoras" para o Brasil. Criminosos passaram a usar as mesmas estradas e logística do tráfico de drogas – como as rodovias BR-463, MS-164 e MS-162 – para transportar ilegalmente esses medicamentos vindos do Paraguai, segundo forças de segurança ouvidas pelo g1.

A prática, que movimenta um mercado ilegal estimado em R$ 600 milhões, oferece sérios riscos à saúde pública, pois os produtos entram no país sem qualquer controle sanitário da Anvisa.

Só em 2025, foram apreendidas em MS mais de 12 mil doses (3 mil caixas) desses medicamentos. Apenas na primeira quinzena de janeiro de 2026, outras cerca de 6 mil doses (1,4 mil caixas) foram interceptadas. As apreensões são feitas pela Polícia Federal, PRF, Receita Federal e DOF.

Por Que MS Virou um Corredor?

  1. Localização Estratégica: Fronteira seca extensa (cerca de 1.500 km) com o Paraguai, sem barreiras naturais.
  2. Infraestrutura Criminosa: Uso das rotas já consolidadas pelo narcotráfico.
  3. Alta Demanda e Lucro: O custo muito mais baixo no Paraguai e a procura elevada no Brasil geram lucro alto para as organizações criminosas.

Os especialistas alertam que esses medicamentos contrabandeados são uma roleta-russa:

  • Sem refrigeração adequada (são termossensíveis), perdendo a eficácia ou tornando-se perigosos.
  • Podem conter substâncias não declaradas, doses erradas ou serem falsificados.
  • Riscos incluem pancreatite grave (que pode levar à morte), desidratação, alterações hormonais e infecções.
  • Automediação sem acompanhamento médico agrava os perigos.

Desde novembro de 2025, a Anvisa proibiu a entrada desses medicamentos sem registro no país, equiparando a prática a contrabando e crime contra a saúde pública. As penas podem chegar a 10 a 15 anos de prisão. As forças de segurança têm adaptado suas abordagens para identificar essa nova modalidade de crime, que se aproveita da vasta fronteira e da infraestrutura do narcotráfico.

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