31 de julho de 2025
Meio ambiente

Impactos do plástico na saúde podem dobrar até 2040, aponta estudo

Emissões tóxicas ao longo da cadeia do material já causam milhões de anos de vida perdidos no mundo

Por Redação
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Especialistas destacam que o plástico responde por cerca de 4,5% das emissões globais de gases de efeito estufa. - Foto: Ilustrativa / Freepik

Os danos à saúde humana provocados pela produção e pelo descarte do plástico podem mais que dobrar até 2040, caso não haja mudanças no modelo atual de consumo e gestão do material. A projeção faz parte de um estudo publicado na revista científica The Lancet Planetary Health.

Segundo a pesquisa, o plástico está presente em praticamente todos os ambientes do planeta, contaminando o solo, os oceanos e o ar. O material se fragmenta em microplásticos e nanoplásticos, já detectados em organismos vivos e também no corpo humano, inclusive no sangue, pulmões, cérebro e até nas primeiras fezes de recém-nascidos.

Os pesquisadores analisaram os impactos à saúde gerados ao longo de todo o ciclo de vida do plástico, desde a extração de petróleo e gás natural, passando pela produção, transporte e reciclagem, até o descarte final. Todas essas etapas liberam gases de efeito estufa, partículas poluentes e substâncias químicas tóxicas, que afetam a saúde de forma direta ou indireta.

Para medir esses efeitos, o estudo utilizou a métrica conhecida como anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), que representa um ano de vida saudável perdido por morte prematura ou doença. Em 2016, estima-se que o plástico tenha causado a perda de 2,1 milhões de anos de vida no mundo.

No cenário em que a produção, a reciclagem e o descarte do plástico permanecem nos níveis atuais, esse número pode chegar a 4,5 milhões de anos de vida perdidos em 2040. Mesmo no cenário mais otimista, com menor uso de plástico, mais reciclagem e melhor gestão de resíduos, as perdas seriam de 2,6 milhões de anos, ainda superiores às registradas em 2016.

Especialistas destacam que o plástico responde por cerca de 4,5% das emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas à atividade humana e é uma fonte relevante de poluição atmosférica por partículas, especialmente com o crescimento acelerado do consumo global.

Os autores alertam que os impactos estimados representam apenas parte do problema, já que os efeitos diretos dos microplásticos e de diversas substâncias químicas liberadas durante o uso do material ainda não puderam ser totalmente mensurados por falta de dados.

O estudo aponta que a forma mais eficaz de reduzir os riscos à saúde é diminuir a produção de plástico virgem, priorizar sistemas reutilizáveis e eliminar produtos considerados desnecessários. A equipe também defende a criação de um acordo global juridicamente vinculante, que regule todo o ciclo de vida do plástico — proposta que enfrenta resistência de grandes países produtores de petróleo.