Déficit externa atinge US$ 68,8 bi em 2025, mas é coberto por investimentos diretos recordes, diz BC
Investimentos diretos no país somaram US$ 77,7 bilhões, garantindo financiamento robusto; exportações e importações bateram recorde histórico
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As contas externas do Brasil registraram um déficit em transações correntes de US$ 68,791 bilhões em 2025, equivalente a 3,02% do PIB, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26). Apesar do saldo negativo — o maior desde 2014 —, o resultado foi integralmente financiado por investimentos diretos no país (IDP), que somaram US$ 77,676 bilhões, garantindo uma posição externa considerada sólida pelas autoridades.
De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, a estrutura de financiamento é robusta, sustentada por capitais de longo prazo. “Isso reafirma uma situação de contas externas bastante sólidas”, afirmou.
Balança comercial com superávit menor, mas movimentação recorde
A balança comercial apresentou superávit de US$ 59,952 bilhões em 2025, uma redução de 8,9% em relação a 2024. No entanto, tanto exportações (US$ 350,899 bilhões) quanto importações (US$ 290,947 bilhões) atingiram patamares históricos, refletindo maior integração do Brasil na economia global.
O déficit em serviços recuou 4,1%, para US$ 52,940 bilhões, influenciado pela mudança regulatória que retirou as transações de apostas online (bets) do balanço de pagamentos. Por outro lado, aumentaram as despesas com propriedade intelectual e serviços digitais, como streaming e softwares.
Viagens internacionais e rendas
O déficit em viagens internacionais ficou em US$ 13,850 bilhões, com gastos de brasileiros no exterior alcançando US$ 21,715 bilhões. Já os gastos de estrangeiros no Brasil bateram recorde da série histórica, iniciada em 1995.
A conta de renda primária — que inclui remessas de lucros e dividendos — manteve déficit de US$ 81,347 bilhões, enquanto a renda secundária (como remessas de familiares) registrou superávit de US$ 5,543 bilhões.
Financiamento e reservas
Além dos investimentos diretos, o fluxo de capitais foi complementado por entrada líquida de US$ 15,284 bilhões em investimentos de carteira, principalmente em títulos de dívida. As reservas internacionais subiram de US$ 329,730 bilhões em 2024 para US$ 358,234 bilhões no fim de 2025, reforçando o colchão de proteção da economia.
O BC ressaltou que, embora o déficit em transações correntes tenha se ampliado, a composição do financiamento — com predomínio de IDP — mantém o perfil externo do país em situação confortável e sustentável no médio prazo.