31 de julho de 2025
MACEIÓ

Acusado narra em depoimento que músico se jogou após surto; polícia mantém tese de homicídio

Rudson de França Moura descreve discussão com Abdon Neto e alega suicídio, mas perícia encontrou sinais de luta corporal no apartamento da Jatiúca

Por Redação
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O acusado prestou depoimento na Polícia Civil. - Foto: Reprodução

Em depoimento à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)Rudson de França Moura detalhou sua versão para a morte do músico Abdon de Paula Gomes Neto, 41 anos, ocorrida na madrugada de domingo (18) em um prédio da Jatiúca, em Maceió. O acusado, que se diz amigo da vítima há mais de 20 anos, afirmou que Abdon cometeu suicídio após um surto psicótico induzido pela mistura de vodka e medicamentos controlados.

Rudson contou que estava no apartamento com sua namorada, a cunhada dela e duas crianças quando Abdon, após consumir uma bebida alcoólica e um remédio líquido (possivelmente Clonazepam), teria "surtado de forma exacerbada". Segundo ele, a vítima pegou um punhal e o ameaçou, desferindo em seguida um soco. Em reação, Rudson disse ter quebrado um violão de Abdon.

Quando eu fiz isso, as meninas começaram a chorar (...) e eu disse: 'Vão embora, gente'. Quando eu disse isso, ele começou a chorar também, marcou carreira e se jogou do prédio", relatou, estimando que a queda aconteceu cerca de um minuto e meio após a saída das mulheres e crianças.

Rudson disse que era amigo de Abdon há mais de 20 anos e que os dois consumiram vodka no dia da morte. O acusado negou qualquer luta corporal no momento da queda e afirmou que um vizinho acionou o SAMU. Ele contou que, após o ocorrido, ficou andando pela praia antes de ir para a casa da mãe e, posteriormente, para a da namorada, onde foi preso.

Ao final do interrogatório, Rudson pediu à polícia que realizasse exames no corpo de Abdon para verificar a ausência de marcas de agressão. "Pense em alguma lesão nele, porque se eu joguei ele da varanda, alguma pegada tem", argumentou.

Polícia Civil, no entanto, mantém a investigação como homicídio. A delegada Tacyane Ribeiro, coordenadora da DHPP, já havia informado que a perícia encontrou indícios de luta corporal no imóvel – como objetos danificados e o ambiente revirado – incompatíveis com a hipótese de suicídio. O suspeito foi preso e autuado em flagrante, e o inquérito segue para apurar as contradições entre seu depoimento e as evidências periciais.

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