Valdemar Costa Neto afirma que candidatura de Flávio Bolsonaro é ''viável e irreversível''
A avaliação foi reforçada pela última pesquisa Quaest, que mostrou crescimento do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro no cenário nacional
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Quarenta e cinco dias após ser anunciado como candidato do bolsonarismo à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já é visto pela cúpula de seu partido como um nome "irreversível" na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. A avaliação foi reforçada pela última pesquisa Quaest, que mostrou crescimento do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro no cenário nacional.
“A candidatura de Flávio é viável e irreversível”, afirmou à CNN o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A pesquisa indicou que, mesmo com altos índices de rejeição, Flávio tem espaço para se consolidar como o candidato da direita, ainda que legendas do centrão mantenham resistência e adotem uma postura de espera por novos números.
No entanto, a articulação política da direita segue complexa. Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ainda consideram o futuro do chefe do Executivo paulista "em aberto". Publicamente, Tarcísio afirma que disputará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, mas avalia-se que, na reta final, ele poderia ser lançado candidato ao Planalto caso houvesse convergência da direita em torno de seu nome e, principalmente, o aval de Jair Bolsonaro – atualmente preso no 19º BPM (Papuda) –, que precisaria abrir mão da candidatura do filho para apoiar o governador.
Lideranças do centrão destacam que, mais do que as intenções de voto, observam a taxa de conhecimento e rejeição dos potenciais candidatos. Nesse aspecto, a pesquisa é mais favorável a Tarcísio: ele é desconhecido por 31% dos eleitores e rejeitado por 43% dos que o conhecem. Já Flávio é desconhecido por apenas 11%, mas tem rejeição de 55% entre os que sabem quem ele é – indicando que a fama do sobrenome traz visibilidade, mas também desgaste.
No sábado (17), Flávio publicou um vídeo pedindo união da direita e saindo em defesa de Tarcísio e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Não caiam em pilha errada. O Tarcísio é um aliado fundamental. A Michelle tem um papel importantíssimo”, disse. Porém, nos bastidores, parte do bolsonarismo desconfia que Michelle e Tarcísio atuam de forma coordenada contra a candidatura de Flávio. Os rumores ganharam força após Michelle publicar um vídeo do governador e com a articulação de ambos junto a ministros do STF para pedir prisão domiciliar para Jair Bolsonaro.
Oficialmente, Michelle declara apoio ao filho mais velho, mas aliados relatam o desconforto da ex-primeira-dama com o anúncio da candidatura de Flávio sem que ela tivesse sido consultada. O cenário mostra que, apesar da irreversibilidade proclamada pelo PL, a sucessão presidencial na direita ainda depende de delicadas negociações familiares e alianças partidárias que estão longe de estar pacificadas.