Racha no bolsonarismo se aprofunda em ano eleitoral com trocas de ofensas entre aliados
Michelle Bolsonaro, Allan dos Santos, Malafaia e Damares protagonizam embates públicos; crise se intensifica após transferência de Bolsonaro para a Papuda
Publicado em
O campo bolsonarista inicia 2026 dividido e em clima de guerra interna, com trocas públicas de acusações entre algumas de suas principais figuras. Enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena na Papuda, nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o blogueiro Allan dos Santos, o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves protagonizam embates que escancaram as disputas pelo espólio político da direita.
Os principais focos de tensão:
- Malafaia x Damares: O pastor chamou a senadora de "leviana linguaruda" após ela insinuar que "grandes igrejas" estariam envolvidas em fraudes no INSS. Damares respondeu divulgando uma lista de pastores citados nos autos, incluindo André Valadão.
- Michelle x Allan dos Santos: O blogueiro criticou Michelle por curtir um post da esposa do governador Tarcísio de Freitas que pedia um "novo CEO para o Brasil", sugerindo apoio a Tarcísio. Michelle rebateu chamando-o de "Allan dos demônios" e afirmou que ele não conhece a intimidade do casal.
- Michelle x enteados: A ex-primeira-dama já havia sido criticada por Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro após se opor à aliança do PL-CE com Ciro Gomes. A tensão aumentou após a reunião de Michelle com Alexandre de Moraes, vista por parte da família como uma tentativa de negociar isoladamente a prisão domiciliar do ex-presidente.
- Tarcísio sob pressão: O governador de São Paulo, antes cotado como presidenciável, agora é cobrado para apoiar publicamente Flávio Bolsonaro. Sua hesitação gera desconfiança na ala mais radical.
As brigas se intensificaram conforme a situação jurídica de Bolsonaro se agravou – da tornozeleira eletrônica à prisão na PF e, agora, na Papuda. A liderança do movimento e a definição de uma estratégia eleitoral para 2026 estão no centro das disputas.
Enquanto Flávio Bolsonaro é oficialmente o candidato do clã à Presidência, figuras como Tarcísio e até mesmo Michelle são vistas com suspeita por setores que pregam lealdade absoluta ao ex-presidente. O segundo turno em Portugal, onde a extrema-direita avança, serve como pano de fundo para um debate sobre o futuro da direita brasileira – mais radical ou mais pragmática.