31 de julho de 2025
custos da operação

MP pede que jovem pague R$ 8,1 mil aos bombeiros e indenize amigo após abandono em trilha

Promotoria aponta omissão de socorro e cobra R$ 8,1 mil pelo resgate e mais cerca de R$ 5 mil de indenização à vítima

Por Redação
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Em manifestação, o MP afirma que a conduta foi dolosa, já que, mesmo ciente da situação de vulnerabilidade da vítima, a jovem teria optado por seguir sozinha - Foto: Reprodução / RPC

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu à Justiça que Thayane Smith pague R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros pelos custos da operação de busca e resgate de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias desaparecido após se perder na trilha do Pico Paraná, no início deste ano. Além disso, o MP também solicita o pagamento de cerca de R$ 5 mil ao jovem a título de indenização por danos materiais e morais.

A cobrança faz parte de uma proposta de transação penal apresentada pela Promotoria, que entendeu haver indícios de omissão de socorro. A posição do Ministério Público contraria a conclusão da Polícia Civil, que havia arquivado o inquérito por não identificar crime.

Além do ressarcimento e da indenização, o MP-PR propôs que a jovem cumpra prestação de serviços comunitários por três meses, com carga de cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros.

Segundo a Promotoria, Thayane deixou Roberto para trás mesmo após perceber que ele apresentava sinais de debilidade física, como vômitos e dificuldade para caminhar, além das condições adversas da trilha, que incluíam frio, chuva, neblina e alto grau de dificuldade.

Em manifestação, o MP afirma que a conduta foi dolosa, já que, mesmo ciente da situação de vulnerabilidade da vítima, a jovem teria optado por seguir sozinha. “Ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”, diz o documento.

Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro e só foi localizado cinco dias depois, após caminhar cerca de 20 quilômetros seguindo o curso de um rio até chegar a uma fazenda, em Antonina, onde conseguiu pedir ajuda e avisar a família.

Procurada, a defesa informou que ainda não teve acesso aos autos e que só irá se manifestar após analisar o processo. A antiga advogada da jovem deixou o caso no início do mês.

Investigação

A Polícia Civil havia arquivado o inquérito ao concluir que não houve crime nem omissão de socorro. Segundo o delegado responsável, Roberto teria passado mal apenas durante a subida e estaria em melhores condições na descida, quando acabou se separando do grupo e pegando uma trilha errada.

Mesmo assim, o MP-PR decidiu levar o caso ao Juizado Especial Criminal e sustenta que houve negligência ao deixar o jovem em situação de risco em uma área de mata fechada e de difícil acesso.

As buscas começaram ainda no dia 1º de janeiro e mobilizaram bombeiros, voluntários, drones, equipes especializadas e recursos de rapel e câmeras térmicas. Roberto foi encontrado com sinais de desidratação, recebeu atendimento médico e teve alta dias depois.