31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Aliados lamentam e adversários comemoram transferência de Bolsonaro para Papudinha

Decisão de Alexandre de Moraes gera reações opostas: enquanto oposição vê "justiça cumprida", base bolsonarista classifica mudança como "punição política"

Por Redação
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O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Antônio Augusto/STF

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, gerou reações polarizadas entre aliados e adversários políticos nesta quinta-feira (15). Enquanto a base bolsonarista classificou a decisão como "vingança" e "punição política", parlamentares da oposição defenderam que a medida representa o cumprimento normal da Justiça.

Do lado governista, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), atacou a decisão, chamando-a de "autoritarismo de toga" e "abuso de poder institucionalizado". Ele defendeu que a alternativa adequada seria a prisão domiciliar. Na mesma linha, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou: "Por que não enviá-lo para casa?", argumentando que Bolsonaro responde por "um crime que nunca cometeu".

Os filhos do ex-presidente também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou esperar que o pai seja transferido para casa, "único local onde o risco de queda pode ser amenizado". Já Carlos Bolsonaro afirmou que a decisão simboliza um "confronto institucional".

No campo opositor, parlamentares celebraram a mudança e rebateram a narrativa de "tortura" ou tratamento desumano. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que a Papudinha ainda seria "muito" para um "líder de organização criminosa", citando uma antiga fala do próprio Bolsonaro: "bandido tem que apodrecer na cadeia".

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), destacou que, durante o período na Superintendência da PF, Bolsonaro usufruiu de condições "inexistentes para a esmagadora maioria dos presos" – como sala individual, atendimento médico permanente e alimentação diferenciada – e que a transferência simplesmente coloca o ex-presidente em regime mais adequado à condenação.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, sintetizou a visão governista com a frase: "Aqui se faz, aqui se paga". A decisão judicial, longe de encerrar o debate, acirrou ainda mais a disputa narrativa em torno do cumprimento de pena do ex-presidente.

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