Ministro da Defesa do Irã alerta que instabilidade pode se espalhar pela região
Em meio a protestos que duram quase três semanas, governo afirma reprimir "terroristas armados", mas admite dificuldade em conter crise além das fronteiras
Publicado em
Em um raro sinal de preocupação oficial com a escala da crise interna, o ministro da Defesa do Irã, Aziz Nasirzadeh, alertou nesta quinta-feira (15) que o governo pode não conseguir impedir que a instabilidade se espalhe para além de suas fronteiras. A declaração ocorre enquanto o país enfrenta quase três semanas de protestos generalizados, que as autoridades classificam como ação de "terroristas armados" apoiados por potências estrangeiras.
Em pronunciamento transmitido pela agência estatal IRIB, Nasirzadeh afirmou que as forças de segurança usarão "todo o seu poder" para reprimir os distúrbios, mas reconheceu a complexidade da situação diante de uma estrutura social fragmentada e de grupos que "aspiram à secessão". Ele acusou manifestantes de atacar bases militares, locais religiosos e ameaçar comerciantes, enquadrando as ações como uma "guerra interna" e não como protestos legítimos.
O alerta do ministro segue uma declaração da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que na quarta-feira (14) detalhou operações contra o que chama de "projeto de agitação americano-sionista". O ministro da Justiça, Amir Hossein Rahimi, foi ainda mais contundente, afirmando que qualquer pessoa presa desde 8 de janeiro é "culpada" por estar no local dos distúrbios.
A perspectiva de que a instabilidade iraniana possa transbordar para países vizinhos preocupa analistas e governos regionais, em um cenário já marcado por tensões geopolíticas e pela ameaça de intervenção dos Estados Unidos. O discurso reflete a dificuldade do regime em controlar a crise por meio apenas da repressão, sugerindo um possível agravamento do conflito interno.