Fazendas para mineração de criptomoedas irregulares são desmanteladas no interior de Alagoas
Esquema clandestino causa rombo de R$ 750 mil, dano ambiental e revolta no Baixo São Francisco
Publicado em
Uma operação da Polícia Civil de Alagoas desmantelou um esquema de mineração irregular de criptomoedas que vinha operando de forma clandestina na zona rural de Porto Real do Colégio, no Baixo São Francisco. A atividade provocou um prejuízo estimado em R$ 750 mil à concessionária de energia elétrica em apenas cinco meses, além de impactos ambientais e transtornos diretos à população local.
De acordo com a Diretoria de Inteligência da PCAL, quatro fazendas de mineração de criptoativos foram identificadas funcionando sem qualquer regularização. Embora a mineração de criptomoedas não seja proibida no Brasil, a investigação constatou uma série de ilegalidades que caracterizaram crimes, entre eles o furto de energia elétrica e o uso irregular de recursos naturais.
Técnicos da Equatorial confirmaram o desvio direto de energia da rede pública, por meio de ligações clandestinas e instalações precárias, que sobrecarregavam o sistema elétrico da região. O funcionamento ininterrupto das máquinas, 24 horas por dia, comprometeu a estabilidade da rede e afetou comunidades inteiras.
Moradores relataram oscilações constantes no fornecimento de energia, que resultaram na queima de eletrodomésticos, curtos-circuitos e até incêndios em transformadores. O cenário gerou insegurança e prejuízos para famílias da região, que passaram a conviver com falhas recorrentes no serviço essencial.
Além do dano econômico, a operação revelou um grave impacto ambiental. As investigações apontaram a captação irregular de água do Rio São Francisco, utilizada para o resfriamento das máquinas de alta performance. A retirada ocorreu sem autorização dos órgãos ambientais ou outorga para uso de recursos hídricos, em desacordo com a legislação ambiental vigente e com potencial risco ao equilíbrio do ecossistema local.
Outro fator que ampliou a insatisfação da população foi o barulho constante produzido pelos equipamentos, que utilizam sistemas industriais de ventilação e resfriamento. O ruído permanente afetou o bem-estar dos moradores que vivem no entorno das áreas onde as fazendas clandestinas estavam instaladas.
Durante a operação, não houve prisões. Segundo a Polícia Civil, os responsáveis pelos equipamentos não estavam nos locais no momento da fiscalização. As apurações indicam que as máquinas eram instaladas em imóveis alugados, cujos ocupantes recebiam pagamentos mensais para ceder espaço, muitas vezes sem pleno conhecimento da ilegalidade da atividade. Parte dessas pessoas acreditava que a mineração era totalmente regular, após pesquisas superficiais na internet.
Foram apreendidas dezenas de máquinas de mineração, além de cabos e fiações utilizadas para o desvio de energia. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para identificar os responsáveis pelo esquema e apurar outros possíveis crimes, como sonegação fiscal, prejuízo ao erário, crimes contra o sistema tributário e lavagem de dinheiro.