31 de julho de 2025
Comércio internacional

Agronegócio celebra aprovação da União Europeia para acordo com Mercosul

Setor vê avanço histórico e prevê maior previsibilidade nas exportações de carnes, café e grãos

Por Redação
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Agronegócio celebra aprovação da União Europeia para acordo com Mercosul - Foto: Reprodução

O agronegócio brasileiro comemorou nesta sexta-feira (9) a aprovação da União Europeia para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, que deve criar a maior zona de livre comércio do mundo. Especialistas e entidades do setor destacam que o tratado traz previsibilidade, amplia oportunidades de exportação e fortalece a posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de frango, carne suína e ovos, avaliou o anúncio como “um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos”. A entidade destacou que o acordo reforça a imagem do Brasil como fornecedor de proteínas com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva.

O país, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve se beneficiar especialmente, já que o bloco europeu é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás apenas da China. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também classificou a aprovação como um marco, após mais de 20 anos de negociações. Tirso Meirelles, presidente da Faesp, lembrou que tarifas impostas por Trump reforçaram a necessidade de acordos bilaterais para ampliar o comércio internacional do Brasil.

Mesmo produtos brasileiros que não enfrentam barreiras tarifárias atualmente, como soja em grão, farelo de soja e milho, terão vantagens com o tratado. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o acordo deve aumentar a previsibilidade, reduzir custos e reforçar a competitividade dos produtos brasileiros na Europa.

No setor de café, o acordo pode tornar o café solúvel brasileiro mais competitivo, segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé). Atualmente, o Vietnã já tem acordo tarifário zero com o bloco europeu, prejudicando o produto brasileiro. Pelo tratado, as tarifas sobre café solúvel e torrado e moído devem zerar em quatro anos, com expectativa de crescimento de até 35% nas exportações nos próximos anos.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que o acordo abre novas oportunidades para o Mercosul e reforçou que salvaguardas podem ser debatidas durante as negociações. Essas medidas europeias preveem a suspensão temporária de benefícios tarifários caso algum setor do agro local seja prejudicado. Entidades brasileiras, como a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), alertam que isso pode limitar exportações em um momento em que se busca ampliar o livre comércio.

O tratado prevê cotas para carne bovina, permitindo que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai exportem até 99 mil toneladas por ano com tarifa inicial de 7,5%, consolidando o Mercosul como parceiro preferencial da União Europeia.