EUA viram pirâmide alimentar de ponta-cabeça e incentivam dieta rica em proteínas
Novas diretrizes dietéticas federais enfatizam "comida de verdade", reduzem foco em carboidratos e liberam gorduras saturadas, marcando mudança de paradigma nutricional
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O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (7) uma revisão profunda de suas diretrizes nutricionais federais, apresentando uma nova pirâmide alimentar que inverte prioridades estabelecidas há décadas. A orientação agora enfatiza o consumo de proteínas e gorduras naturais, desencoraja carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados, e oficialmente abandona a demonização histórica das gorduras saturadas. Intitulado Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, o documento é descrito pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., como "a redefinição mais significativa da política federal de nutrição da história".
Sob o slogan "Coma comida de verdade", as novas diretrizes colocam no centro da dieta alimentos como carnes, ovos, peixes, laticínios integrais, azeite de oliva e manteiga. A recomendação proteica oficial agora varia entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal ao dia, baseada em evidências que associam maior ingestão proteica a benefícios metabólicos. Paralelamente, carboidratos como pães, cereais e biscoitos são desincentivados, com um alerta claro sobre os riscos do consumo excessivo de açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados, apontados como principais vetores de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão.
O Dr. Marty Makary, comissário da FDA (Food and Drug Administration), foi incisivo ao contextualizar a mudança: "Por décadas, fomos guiados por uma pirâmide alimentar distorcida. As antigas diretrizes tinham como objetivo apenas prevenir a inanição. As novas foram desenhadas para que as crianças americanas prosperem e são baseadas em ciência, não em dogmas". A nova pirâmide substitui o gráfico MyPlate, em vigor desde 2011, e deve impactar programas federais como vales-refeição e merendas escolares, que atenderão a novos parâmetros de qualidade.
A revisão reconhece ainda que padrões alimentares com menor teor de carboidratos podem ser benéficos em contextos clínicos específicos, um avanço antes impensável em diretrizes oficiais. Embora mantenha recomendações consolidadas, como o consumo de frutas e vegetais, o documento marca uma guinada ao reposicionar as gorduras saturadas naturais como parte de uma dieta saudável, desde que provenientes de alimentos integrais e não de processados.