31 de julho de 2025
economia

Juros do crédito para famílias sobem em novembro, puxados por cartão e empréstimo pessoal

Taxas avançam no crédito livre para pessoas físicas, enquanto custos caem nas operações com empresas

Por Redação
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Com esses ajustes, a taxa média de juros das concessões de crédito livre para famílias teve aumento de 0,9 ponto percentual em novembro, acumulando alta de 6,2 pontos percentuais em 12 meses, e chegou a 59,4% ao ano. - Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

As taxas médias de juros cobradas pelos bancos subiram para as famílias e caíram para as empresas em novembro, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta sexta-feira (26) pelo Banco Central (BC). O movimento reflete principalmente o encarecimento do crédito pessoal e do cartão de crédito para pessoas físicas.

No crédito livre para famílias, o maior avanço ocorreu no crédito pessoal não consignado, cuja taxa subiu 5,5 pontos percentuais no mês, chegando a 106,6% ao ano. Também houve aumento de 3,2 pontos percentuais no cartão de crédito parcelado, que passou a 181,2% ao ano, além de alta de 0,7 ponto percentual no cartão de crédito rotativo, cuja taxa alcançou 440,5% ao ano, uma das mais elevadas do mercado.

Mesmo com a limitação dos juros do rotativo em vigor desde janeiro do ano passado, o Banco Central esclareceu que a regra não interfere na taxa pactuada no momento da contratação do crédito. Em 12 meses, os juros do rotativo para as famílias apresentaram redução de 5,4 pontos percentuais, embora sigam em patamar elevado.

Com esses ajustes, a taxa média de juros das concessões de crédito livre para famílias teve aumento de 0,9 ponto percentual em novembro, acumulando alta de 6,2 pontos percentuais em 12 meses, e chegou a 59,4% ao ano.

Para as empresas, os juros médios nas novas contratações de crédito livre recuaram 0,6 ponto percentual no mês, apesar de acumularem alta de 2,8 pontos percentuais em 12 meses, atingindo 24,5% ao ano. Entre os destaques de queda estão as operações de desconto de duplicatas e outros recebíveis, que ficaram em 19,3% ao ano, e o capital de giro com prazo superior a 365 dias, cuja taxa caiu para 21,8% ao ano.

No crédito direcionado, a taxa para pessoas físicas ficou em 10,9% ao ano em novembro, mantendo estabilidade em relação a outubro, enquanto para as empresas houve queda de 2,1 pontos percentuais no mês, com a taxa recuando para 11,8% ao ano.

Considerando recursos livres e direcionados para famílias e empresas, a taxa média geral de juros teve alta de 0,1 ponto percentual em novembro e de 3,5 pontos percentuais em 12 meses, alcançando 31,9% ao ano. Segundo o BC, o movimento acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006.

O spread bancário também aumentou, com alta de 0,3 ponto percentual no mês e de 2,5 pontos percentuais em 12 meses, refletindo custos operacionais, riscos de inadimplência, tributos e a margem de lucro das instituições financeiras.

Em novembro, as concessões de crédito somaram R$ 637,5 bilhões, com recuo de 6,6% no mês. Já o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 6,97 trilhões, com crescimento de 0,9% em relação a outubro, embora mantenha trajetória de desaceleração no acumulado de 12 meses.

A inadimplência ficou em 3,8% em novembro, sendo 4,7% nas operações com pessoas físicas e 2,3% com empresas. O endividamento das famílias alcançou 49,3% da renda em outubro, enquanto o comprometimento da renda subiu para 29,4%, ambos em alta na comparação anual.