31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Líder de igreja evangélica no DF é preso como suspeito de abusar sexualmente de ao menos quatro adolescentes

Gabriel de Sá Campos, filho do pastor presidente da Igreja Batista Filadélfia, usava cargo voluntário para se aproximar de jovens. Investigação aponta que crimes podem ter começado em 2019

Por Redação
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Gabriel de Sá Campos, filho do pastor presidente da Igreja Batista Filadélfia - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Gabriel de Sá Campos, 30 anos, filho do pastor presidente da Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2 (DF), foi preso temporariamente na última sexta-feira (19) sob suspeita de abusar sexualmente de ao menos quatro adolescentes que frequentavam a instituição. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga-o como um “serial estuprador” que utilizava sua posição de líder voluntário do ministério de adolescentes para cometer crimes de forma planejada.

Segundo a 4ª Delegacia de Polícia, o suspeito se aproveitava da confiança das famílias e da sua atuação como instrutor de um curso de “integridade sexual” para obter informações íntimas dos jovens. Os abusos ocorriam em festas do pijama na igreja ou em sessões de cinema em sua casa, onde acariciava as partes íntimas das vítimas mesmo após pedidos para parar.

Os crimes investigados teriam começado em 2019. As vítimas identificadas até agora são crianças e adolescentes do sexo masculino, com idades entre 10 e 17 anos no período dos abusos. A polícia apura relatos de pelo menos outras oito possíveis vítimas.

De acordo com a investigação, quando um dos casos veio à tona em dezembro de 2024, o pai do suspeito teria classificado os atos como “brincadeira” e “ato involuntário”, pedindo sigilo à família. Em reunião de liderança em novembro de 2025, um diácono teria pedido um “pacto de sigilo” e afirmado que “problemas da igreja se resolvem na igreja, não na polícia”.

A Justiça decretou prisão temporária de 30 dias (prorrogável), busca e apreensãoquebra de sigilos telemático e telefônico e medidas protetivas que incluem proibição de aproximação das vítimas e afastamento de funções religiosas.

Em nota, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que o investigado não exercia mais funções de liderança em 2025, negou qualquer tentativa de encobrimento e disse que sempre orientou as famílias a buscarem as autoridades. A instituição também destacou que a relação de parentesco com o pastor presidente não interferiu nas medidas disciplinares.

A investigação segue para ouvir outras possíveis vítimas, analisar dispositivos apreendidos e apurar possível obstrução da justiça por parte de lideranças religiosas.

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