31 de julho de 2025
risco de desabamento

Moradores aguardam demolição do Edifício 13 de Maio entre expectativa e desconfiança

Prédio abandonado no Centro do Recife é classificado como de risco muito alto e aguarda definição de data para derrubada

Por Redação
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Prédio fica localizado na Rua da União, bairro da Boa Vista - Foto: Google Street View

Moradores do entorno do Edifício 13 de Maio, localizado na Rua da União, no bairro da Boa Vista, área central do Recife, vivem um misto de esperança e desconfiança após a prefeitura anunciar a empresa responsável pela demolição do imóvel, considerado de alto risco de desabamento.

Segundo a Prefeitura do Recife, uma equipe da Defesa Civil deve realizar nesta terça-feira (23) uma vistoria técnica no prédio para definir a data de início da demolição. A edificação foi classificada como de risco muito alto, o que mantém em alerta moradores e comerciantes da região.

A empresa Nova Terra Serviços de Engenharia foi anunciada no último dia 4 como vencedora da licitação para executar o serviço, mas ainda não há um cronograma oficial para o início das obras.

Para o subsíndico do vizinho Edifício União, Alexandre Ramos, o anúncio traz alívio, mas também cautela. “A expectativa é positiva, porque essa promessa de demolição se arrasta há anos. Mas seguimos em alerta. Só vamos acreditar de fato quando as obras começarem”, afirmou.

Risco antigo e histórico de abandono

As obras do Edifício 13 de Maio começaram ainda na década de 1950 e nunca foram concluídas. Com o passar dos anos, a estrutura se deteriorou, apresentando ferragens oxidadas, fissuras e comprometimento estrutural, o que representa risco para moradores e transeuntes.

Morador da região há mais de cinco décadas, João Nunes afirma que o problema deixou de ser apenas estético. “Antes, ele só estragava a paisagem de um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Recife. Hoje, estraga nossas vidas. Vivemos correndo risco”, disse.

Em 2024, um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou a demolição como a única alternativa para eliminar o risco de uma possível tragédia, alertando para a urgência da medida e para a responsabilidade do poder público em evitar mortes.

Impactos na rotina e insegurança

Além do risco estrutural, moradores relatam outros problemas decorrentes do abandono do imóvel, como saques a residências interditadas na área. “Uma moradora teve que deixar a casa por decisão judicial e o imóvel está sendo saqueado. Antes havia segurança, mas agora estão levando tudo”, relatou Alexandre Ramos.

Em julho deste ano, um homem de 52 anos foi encontrado esfaqueado em um estacionamento interditado ao lado do edifício, após uma tentativa de furto, o que aumentou a sensação de insegurança na região.

Apesar do histórico de impasses judiciais e promessas adiadas, moradores esperam que, desta vez, a demolição saia do papel. “Não se trata de concreto ou ferro. Estamos falando de vidas. A nossa esperança é que isso se resolva o mais rápido possível”, concluiu João Nunes.