Japão autoriza retomada da usina de Kashiwazaki-Kariwa após quase 15 anos
Maior complexo nuclear do mundo estava parado desde o desastre de Fukushima; decisão ocorreu em meio a protestos em Niigata
O Japão deu o aval final para a retomada das operações da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, quase 15 anos após o desastre de Fukushima. A autorização foi confirmada nesta segunda-feira (22) com a aprovação, pela assembleia legislativa da província de Niigata, da decisão anunciada no mês passado pelo governador Hideyo Hanazumi.
Localizada a cerca de 220 quilômetros a noroeste de Tóquio, a usina foi uma das 54 instalações nucleares fechadas após o terremoto e o tsunami de 2011, que provocaram o pior acidente nuclear desde Chernobyl. Desde então, o Japão reativou 14 dos 33 reatores considerados operacionalmente viáveis no país.
A retomada faz parte da estratégia do governo japonês para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, avançar na meta de neutralidade de carbono até 2050 e atender ao aumento da demanda energética, impulsionada, entre outros fatores, pelo avanço da inteligência artificial.
Kashiwazaki-Kariwa será a primeira usina da Tokyo Electric Power Company (Tepco) a voltar a operar desde Fukushima. Apesar da resistência popular, o órgão regulador nuclear japonês declarou, em 2017, que os reatores 6 e 7 atendem aos padrões de segurança mais rigorosos adotados após o acidente. Com a nova autorização, a imprensa local indica que o reator 6 poderá ser reativado já no próximo mês.
A decisão, no entanto, expôs divisões na sociedade local. Durante a votação, parlamentares contrários criticaram a medida, alegando que ela desconsidera a opinião dos moradores. Do lado de fora da assembleia, cerca de 300 manifestantes protestaram contra a retomada, demonstrando preocupação com riscos ambientais e com o fato de a Tepco voltar a operar a usina.
Uma pesquisa divulgada pela administração local em outubro apontou que 60% dos moradores não acreditam que as condições para a retomada tenham sido plenamente atendidas, enquanto quase 70% afirmam se preocupar com a Tepco como operadora do complexo nuclear.